HURT

I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end
You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of shit
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know
Goes away in the end

You could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt
If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

trent reznor

this ... sort of a diary, is closed

thank you for stopping by !

The hour of the waning of love has beset us, and weary and worn are our sad souls now, let us part, ere the season of passion forget us, with a kiss and a tear on thy drooping brow

LORIEN'S HYPNEROTOMACHIA

26.7.08

finis


Good night, my love, the brightest star in my sky.
adeus. obrigado. até sempre.

sei de um rio

promised worlds


i am going to the sea
Draal
B5

escrevo isto com o meu coração a arder !

the formal text has been erased from life !

25.7.08

a handbook of jokes?



























... there is no it in this world of mine, only me or you or them !

24.7.08

dinosaur egg

the global village

Dinosaur Egg


Dinosaur egg
oh dinosaur egg
When will you hatch
Cause I got a million people coming on Friday
And they except to see a dinosaur not an egg

Robot slave
...oh robot slave
When will you spring to life
Cause I got a million people coming on Friday
And I don't except to serve them drinks myself
...myself

Tortured spirit
oh tortured spirit
When, will you appear
Cause I got a million people coming on Friday
And I don't wanna have to scare the shit out of them myself


scout niblett + lorien

struggle for pleasure

pictures at an exhibition


knowing i loved my books...08

Como ela não desviava os olhos do trabalho, aproveitei para a observar, primeiro à socapa, depois com mais ousadia. O seu rosto parecia-me ainda mais bonito do que na véspera: tão fino, tão inteligente, tão querido. Estava de costas para o estore branco da janela; um raio de sol, atravessando o estore, banhava-lhe numa luz macia o cabelo dourado e etéreo, o pescoço inocente, os ombros fugidios e o peito terno, sereno. Estava a olhar para ela e a sentir quão próxima e querida se tornava para mim ! Como se a conhecesse havia muito, como se não soubesse nada nem tivesse vivido antes de a conhecer... Trazia um vestido escuro, usado, pusera avental; eu teria acariciado de boa vontade cada prega daquele vestido e daquele avental. As biqueiras das botinas assomavam de baixo da bainha do vestido: apetecia-me inclinar-me com veneração sobre aquelas botinas... Aqui estou eu sentado em frente dela - pensei -, acabo de travar conhecimento com ela... que felicidade, meu Deus! Por pouco não saltei da cadeira, tão fascinado estava, mas limitei-me a baloiçar os pés como uma criança deliciada com uma guloseima.
Sentia-me bem, como peixe na água, era capaz de ficar um século dentro daquele quarto, sem nunca de lá sair.
As suas pálpebras levantaram-se devagarinho, de novo lhe luziram os olhos com meiguice, de novo sorriu.
- A maneira como está a olhar para mim... - disse com lentidão e ameaçou-me com o dedo.
+
turguéniev «o primeiro amor» 1869
trad. filipe e nina guerra
relógio d'água 2008

film editing

















wong kar-wai «happy together» 1997

22.7.08

a handbook of jokes?


















... and if there is nothing beyond evil, lise ?

knowing i loved my books...08

O seu olhar caiu por fim sobre a jarra azul à sua frente em cima da secretária. Estava vazia, pela primeira vez vazia, desde há anos pelo seu aniversário. Ficou estarrecido: para si era como se de repente uma porta se abrisse brusca e invisivelmente e uma corrente de ar frio brotasse de um outro mundo e invadisse o seu espaço de tranquilidade. Sentiu uma morte e sentiu amor imorredoiro: do fundo da sua alma irrompeu algo e pensou na mulher invisível com paixão, sem lhe vislumbrar o corpo, como numa melodia distante.
stefan sweig, «carta de uma desconhecida»
trad. fernando ribeiro
a esfera dos livros 2008

21.7.08

the end

riders on the storm



























gaia. 19 de julho de 2008


pela memória de james douglas morrison, não vos vou contar como ray e robby banalizaram o seu passado comum e se portaram como autênticos palhaços com uns copos ou umas joints a mais ... give up, please!
para quem soube de cor e salteado uma coisa como «an american prayer» durante toda a sua adolescência, foi revoltante, deus meu !

the yellow bastard


film editing

























frank miller and robert rodriguez «sun city» 2005

mesmo um fanático «milleriano» não renega tão belo filme, pese embora não alcance o nível dos «comics» originais; esperemos pela segunda parte, a estrear para a ano que vem.

19.7.08

stay dead, man !









































17 de julho. gaia. peter murphy. sisters of mercy.

... pois, gostei muito da versão de «hurt» no concerto de peter murphy. não me perguntem mais nada, sim ?

17.7.08

nightwatching

a ronda da noite


in the movies















peter greenaway «nightwatching» 2007
+
o último filme que vi de greenaway no cinema foi «nove mulheres e meia» de 1999, dado que o projecto «the tulse luper suitcases» não passou pelas salas deste canto ; o greenaway de sempre, para muito pouca gente e muito menos para críticos cinematográficos, meus senhores ! ; greenaway usa o cinema como linguagem, não é um cinesta na visão tradicional do termo ; o filme parece-me próximo de «o bébe de macôn» em termos construtivos, entenda-se ; foi a princípio estranho ver martin freeman (o tim da série de gervais e merchant, the office) fazer de rembrandt mas está excelente e todos os seus maneirismos são mesmo seus, de actor, quero dizer ; já sem sacha vierny na fotografia, falecido em 2001, reinier von brummelen consegue captar a holanda setecentista pictórica: as cores, os pasteis e os negros e greenaway não escapa à pintura de género e à memória de vermeer.
que posso dizer sobre peter greenaway quando sou o principal suspeito na matéria ?

16.7.08

a pintura de paisagem romântica

... a partir de Javier Arnaldo, Estilo y Naturaleza. La obra de arte en el romanticismo alemán

Friedrich e a paisagem: Uma rigorosa e também escrava imitação da natureza e execução ultradimensional são próprias de uma arte falhada. A arte não deve de forma alguma propor-se ao engano, e execuções de tal dimensões constringem o espectador; a imagem só deve insinuar e, antes de tudo, excitar espiritualmente e entregar à fantasia um espaço para o seu livre jogo, pois o quadro não deve pretender a representação da natureza, mas apenas recordá-la.
A obra de arte e quem a contempla têm que manter uma conversa; assim, o espectador participa do processo de realização do sentimento que se aplica ao pintor, pois a tarefa do artista não é a fiel representação do ar, água, rochas e árvores, mas a sua alma, o seu sentimento, o que há-de ser reflectido.

As «figuras de costas» que são frequentes em Friedrich condicionam a atenção do espectador, induzindo-o a assumir, no olhar, um modo de contemplação vivido no interior do quadro; impressão espontânea de ver-se englobado no quadro (relação ilusionista). Veja-se Passeio de barca pelo Elba de Carl Gustav Carus.

A perspectiva atmosférica como que para envolver o espectador nas «margens do quadro»; o truque/artifício consiste em concentrar a luz no centro do campo visual e conduzir a ela desde os primeiros planos pouco iluminados (sobre este procedimento de Friedrich conta Carus a célebre anedota: Uma vez encontrou no seu estúdio uma paisagem de pôr-da-lua...) Veja-se o todo do Passeio de Barca… em contra-luz, veja-se Caminhante ante um mar de névoa: o espectador vê-se englobado pela prolongamento visual da rocha na qual se ergue a figura, mas não tem um único mas múltiplos pontos de vista.

Outra característica: a valorização háptica. O sentido táctil ressalta como elemento distintivo do estilo romântico, as suas conotações passam também por segregar e ajustar nitidamente mediante contornos cada um dos volumes corpóreos representados, característica da pintura alemã e do primeiro Romantismo: o háptico resulta na pintura de Runge, como na da Friedrich, um factor ineludível no processo de implicação do circunstante, não afastado em nenhum momento da liquidação das relações espaciais verdadeiras. Aproxima-nos a elementos firmes da representação, em forte contraste com o factor hiperdimensional do assunto comunicado.

Schiller fala-nos do naif no háptico romântico: Natureza, quando falamos de contemplação, não é mais que uma experiência voluntária, o consistir das coisas em si mesmas, a existência segundo leis próprias e imutáveis, afirma no Sobre a poesia naif e sentimental. Para ele, o naif é necessariamente o objecto final da imitação que corresponde ao ânimo sentimental, próprio do sujeito livre ou moral.

Dizia Kleist acerca de O monge junto ao mar de Friedrich: O que eu mesmo deveria encontrar no quadro, encontrava entre mim e o quadro, e isto era uma exigência do meu coração ao quadro e um prejuízo que o quadro causava no meu coração.

Carus define a pintura de paisagem como erdlebenbildkunst, ou seja, a pintura da vida na terra; entende que o seu objecto é a natureza como princípio da totalidade do espírito, como expressão significativa da génese do espírito no vivo. A arte procura o vínculo entre espírito e natureza; a arte contempla a natureza com o olho do espírito. Diz Friedrich: fecha o teu olho corporal para que vejas primeiro a tua pintura com o olho do espírito. Então, deixa sair para a luz o que viste na obscuridade, para que possa exercer o seu efeito sobre os outros, do exterior ao interior.
Carus insiste no carácter intelectual da contemplação mediada pela arte, assegurando que o esquecer a mão em favor do espírito é a verdadeira prova que confirma a perfeição da obra de arte. E ao defender a necessidade de um princípio formal produtivo, afirma: o estilo puro, que aqui propomos, é um «ideal», é, por assim dizer, o ponto médio de uma periferia incomensurável, desde a qual se podem traçar inúmeros raios, sem chegar, não obstante, a alcançar de todo o centro.
Esse ideal ou estilo puro carece de representação ou de uma constelação formal estável; é, antes, a orientação que regula o método genético ao que se entrega a linguagem formal, e fazer esquecer a mão do artista em favor da expressão da ideia do espírito, do abstracto impulso do sentimento que designa a ideia.

Friedrich Schlegel: O modo poético romântico está ainda para vir: e só pode vir eternamente e nunca contemplar-se, pois esta é a sua verdadeira essência. Não pode ser criado por uma teoria qualquer, e só uma teoria adivinhadora teria direito a aventurar-se a caracterizar o seu ideal.

O ideal de Carus denominado estilo puro é complementado pelas seguintes reflexões de Novalis: Um pensamento puro, uma imagem pura, uma sensação pura são pensamentos, imagens, sensações que não são despertadas por um objecto correspondente, mas que surgem fora das denominadas leis mecânicas – da esfera do mecanismo. A fantasia é uma força anti-mecânica. Novalis toma em conta o princípio da totalidade orgânica na vida do sentimento, o fundamento autónomo e desinteressado do sentimento que se prolonga na actividade da fantasia, pela qual se gesta uma via explícita de conhecimento.

film editing

























alfred hitchcock «number 17» 1932

knowing i loved my books...08

Porém, afirmei-o já, toda a dor é pusilânime, retrocede perante o irresistível exigir viver, que parece mais fortemente vinvulado à nossa carne que toda a paixão da morte latente no nosso espírito. Não encontrei explicação, depois de tal opressão dos sentimentos: mas no entanto levantei-me de novo, não sabendo evidentemente o que fazer. E de súbito lembrei-me estar a minha bagagem já pronta, na estação, logo me ocorrendo: fora, fora, fora; só para fora daqui, desta maldita caso do inferno. Corri para a estação sem prestar atenção a quem quer que fosse e perguntei a que horas partir ao próximo comboio para Paris; às dez, respondeu o recepcionista e de imediato mandei enviar as minhas bagagens. Dez horas - tinham então passado vinte e quatro horas desde aquele encontro medonho, vinte e quatro horas, de tal modo sujeitas às variações atmosféricas dos sentimentos mais paradoxais que o meu universo interior ficou para sempre dilacerado. Todavia ouvi apenas uma palavra, sobretudo, no meio daquele bater constantemente ritmado como um martelo, como um espasmo: Fora! Fora! Fora! dentro da minha cabeça; o latejar contínuo perfurando as fontes como uma cunha: Fora! Fora! Fora! Para fora desta cidade, para fora de mim mesma, para casa, para a minha gente, para a minha vida de sempre, para a minha própria vida!
stefan zweig, vinte e quatro horas na vida de uma mulher
trad. fernando ribeiro
a esfera dos livros 2008
+
... zweig não é um grande grande escritor; porém, é-me uma personagem cara e este foi um dos primeiros livros que me recordo de ler.

15.7.08

film editing























alfred hitchcock «the 39 steps» 1935

14.7.08

first light

a brief selection of music for sweet afternoons




























































brian eno

«discreet music» 1975
«music for aiports»1978
«on land»1982
«thursday afternoon»1985
«neroli»1993

film editing

























alfred hitchcock «the secret agent» 1936
+
é-me difícil imaginar sir john gielgud fora do papel de «prospero». parece-me sempre outro actor.

quinta carta a uma menina ou a uma mulher ou vice-versa

minha cara senhora.

sem meias palavras e com todo o rigor passível de imaginar por palavras escritas declino o seu convite para passar na sua sempre funesta companhia uns diazinhos como define a coisa na sua casa de campo às portas do mar. nunca em tempo algum tive suficiente discernimento para lhe descrever o tédio com que sobrevivia a esse mês de absoluto mudo sofrimento. não deixou de ser para mim estranho que nunca tenha interpretado o meu mais absoluto silêncio e a minha mais que terminante recusa em abandonar a casa e muitas vezes a sala de estar como prova de que as suas férias entre bestas e água salgada pouco ou nada me diziam. atitude, aliás, sempre vista por si como um puro devaneio meu de conquista de espaço num ambiente adverso porque desconhecido. os meus amuos eram por si tratados como puros actos de inocência. dado que lhe escrevo a partir da segurança do meu balcão de quarto do hotel de k. para onde me mudei desde que escapei do seu crivo, posso agora com toda a tranquilidade e uma pequena dose de escárnio descrever-lhe o que verdadeiramente pensava desses nossos diazinhos partilhados. nunca amei nenhum tipo de bicho. para além de si é bom de ver. não se enfureça com a terminologia. fica-lhe a matar. e não o digo no mesmo tom que o arpad tratava a vieira da silva. os seus peluches são irritantes, os seus gatos melados, as suas borboletas empaladas sinal de uma mente perturbada com o passar dos dias. a sua vinha nunca me atraiu e sempre foi com um profundo esforço que engoli o vinho que a sua família produzia, acto bárbaro da sua parte porquanto a senhora se ficava pelo espumante. nunca dionísio pensou ter tão má uva à face da terra. não seria uma questão de castas nem de tratamento. era uma questão de método. a agrimensura por assim dizer também não é o meu forte. sempre vivi na cidade e nunca me lembro de respirar ar puro. porém, os passeios pelo jardim inglês de que tanto gosta eram para as minhas narinas um pena insuportável pelo excesso de pólen e a falta de uma gota de dióxido de carbono no ar. se acha que a vida de um homem honrado se define pela industriosa função de agitar um baloiço não imagino como alguém teria inventado as rendas sintéticas que usa. convocar amigos para uma caçada no seu bosque privado que nenhum animal de bom senso pisa também nunca me pareceu uma ideia inteligente e muito menos divertida. a não ser pelo constante vestir e despir fatiotas desnecessárias. quanto aos animais e à frondosa e selvagem natureza desse seu parque privado como a senhora sempre exagerou nas limpezas de mato pouco ou nada restava para além de uma ervinha verde muito cofiada e de um bom par de árvores raquíticas com excesso de tratamento. por sua vez se o mar é sempre uma visão arrebatadora para um filho do primeiro romantismo alemão o areal doirado que tanto elogia nunca passou de uma fracção de areia escura em desalinho por entre rochas e quanto à tranquilidade das suas águas apenas um peixe fundeiro se lhe não oporia. acima de tudo não suporto o estio tal como não suporto o branco o sol em geral e o calor em particular. por pura honestidade devo dizer-lhe que as noites de que tanto ansiava nunca chegaram a acontecer dado o festim genérico dos insectos e a falta de brisa típica da região onde os seus antepassados decidiram construir a sua habitação de veraneio. do interior da sua casa campestre ou balnear nem por sombras lhe faço menção. não obstante permita-me um final e singelo conselho: nunca se convida o caseiro e a mulher para um baile de máscaras, mesmo que seja para fazer número. pelo menos sem se lavarem.
aquele que já foi e não já não é...
conde de q.

13.7.08

oscar homolka: o agente secreto segundo hichcock

film editing: another hitchcock weekend !






































alfred hitchcock «jamaica inn» 1939
«the lady vanishes» 1938
«sabotage»/«the woman alone» 1936
+
«sabotage», também divulgado como «the woman alone» é a adapatação do célebre romance de joseph conrad, «o agente secreto», título último que alfred atribui a um outro filme seu baseado numa obra de somerset maugham; aqui fica o esclarecimento.

12.7.08

play me a song for the weekend, man !

bill, neil e leonard ou aquilo que não vi nem vou ver, porque...






























+
conheço neil young desde que me conheço. nem consigo dizer-vos quando o ouvi pela primeira vez. era muito muito miúdo. mas sei qual o primeiro disco que verdadeiramente me impressionou. foi o «rust never sleeps» de 1979 e o album original, gravado ao vivo, continha um aviso à navegação sobre o completo delírio de ácidos na plateia, frase apagada na versão em cd. a minha canção favorita é, como é evidente, «trasher». mas a primeira capa de que me lembro, anos antes, é a de «harvest». certamente ainda vivia na aldeia dos meus pais. tenho tudo dos buffalo springfield, dos crosby, stills, nash and young e, a solo, de «neil young» 1968 a «rust never sleeps» 1979. é curioso que o primeiro vinil que comprei dele foi o «trans» 1982 e depois o «old ways» 1985, se é que dá para acreditar, talvez os mais incaracterísticos dele. troquei-os no liceu. recuso ver neil young num festival. Keep on rockin' in a free world !




a minha primeira memória de leonard cohen é dos tempos do ciclo preparatório. a minha menina favorita, companheira de turma, chamava-se susana. ainda me lembro do seu perfil e dos seus lábios e da cor do seu cabelo. certo dia, anos mais tarde ?, fui a casa dela. ela mostrou-me um dos seus albuns favoritos. era o «greatest hits» de 1975. não sei por que razão, nunca mais me esqueci disto. muitos anos depois, odiei vezes sem conta o video-clip de «dance me to the end of love». ora, compreendam-me. era muito novo. tenho tudo dele, desde «songs...» até «dear heather». comecei verdadeiramente a compreender cohen nos últimos anos do liceu. para quem esteja interessado, leonard tem um belo romance traduzido em português. chama-se «belos vencidos» e foi publicado pela relógio de água. fartei-me de o oferecer a amigos, à época. se gostam de cohen, é imperdível. se não gostam, idem. We are ugly but we have the music !a minha canção favorita é o «chelsea hotel» mas também poderia ser qualquer uma do «i'm your man». recuso-me a ver leonard cohen ao ar livre e entre minhares de pessoas. é contra-natura, raios !




conheci bill callahan ou melhor (smog) muito muito tarde mas mais vale assim e ainda bem. certo dia, o meu «dealer» musical, o afonso, decidiu colocar no meu cesto de compras «rain on lens» 2001. não é preciso dizer mais nada. até ao final do ano comprei tudo o que havia para comprar. dois dos albuns da minha vida são «red apple falls» 1997 e «a river ain't too much to love» 2005. não fui vê-lo a braga no mês passado porque foi estúpido. também tenho direito. imaginei que seria um concerto na linha do último album homónimo que, de facto, não prefiro. a minha canção favorita é «to be of use». I am a rock bottom riser and i owe it all to you !




tenho dito.

11.7.08

mr. and mrs. smith

film editing


alfred hitchcock « mr. and mrs. smith» 1941
+
com a magnífica carole lombard, uma deslumbrante comédia do grande alfred, um dos seus primeiros filmes «americanos», com uma sequência inicial abosutamente delirante de fino e delicado humor de situação, para dizer em bom português. há uma versão portuguesa nos «clássicos» do jornal público. sim, sim, já lá vai uma semana e ainda não me libertei deste «fado»

other side of the great and wonderous music of reich and glass




























steve reich, reich remixed, nonesuch, 1999

philip glass, glasscuts. philip glass remixed, orange mountain music, 2005

abordagens da electrónica contemporânea à obra de reich e glass

10.7.08

VHS


http://www.youtube.com/user/MCruzIII

film editing

























alfred hitchcock «suspicion» 1941

a handbook of jokes?


... tearing down the House !

9.7.08

film editing

alfred hithcock «saboteur» 1942
+
para quem não se recorda, esta é a longa metragem que inclui a célebre cena final na tocha da estátua da liberdade; inclui dois monólogos divinais: o do velho cego acerca da condição humana e do significado da liberdade (diz-se que escrito por dorothy parker) e o seu abominável contraste na fala do cérebro por detrás do grupo de sabotadores.

8.7.08

spilt milk



We that have done and thought,
That have thought and done,
Must ramble, and thin out
Like milk spilt on a stone


w.b.yeats




à p. que está na velha albion

we love you

from the 80's...





















































the psychedelic furs


«the psychedelic furs» 1980
«talk talk talk» 1981
«forever now» 1982
«mirror moves» 1984
«midnight to midnight» 1987
+
band genius: richard butler and tim butler
producer: steve lillywhite

film editing

























alfred hitchcock «shadow of a doubt» 1943
+
... pois, isto de rever hitchcock em noites de estio pode parecer estranho mas é um conforto. a «mentira» é o único filme em que joseph cotten faz de mau da fita, por assim dizer. não deixo de pensar que isto é uma espécie de «lolita à hitch», invertida, se é que me entendem. uma vez mais, magnífico. já não se fazem filmes destes !

7.7.08

a handbook of jokes?





















i am in need of some vacations but my boat is docked !

film editing
























alfred hitchcock «rope» 1948

5.7.08

a handbook of jokes?


















... so, it is probably for the best giving up to false teeth

rear window

a tribute to brad dourif








































Brad Dourif

dune, as piter de vries
the lord of the rings, as grima wormtongue
the x-files, «beyond the sea«, as luther lee boggs
star trek,«voyager», as lon suder
babylon v,«passing through gethsemane», as brother edward

film editing
























alfred hitchcock «rear window» 1954

4.7.08

kiss

the global village


Kiss


A kiss could've killed me
If it were not for the rain
A kiss could've killed me
Baby if it were not for the rain

And I had a feeling it was coming on
And I felt it coming
For so long
If I'm to be the fool
Then so it be

This fool can die now
With a heart that's soaked
How
How had it coming
For so long

And darling take my hand
And lead me through the door
Let's kidnap each other
And start singing our song

My heart is charged now
Oh, it's dancing in my chest
And I fly when I walk now
From the spell in that kiss

Cause I ...

It could've
It could've killed me
It could've killed me
If it were not for the rain

Oh darling let me dream
Cause somewhere inside me
I have been waiting
So patiently
For you

So don't you break
Don't break my dream
Don't break my dream

Let the rain exalt us
As the night draws in
Winds howl around us
As we begin
What a way to start a fire
Broken with the break of day

A kiss could have killed me
If it were not for rain

And I have a feeling it's coming on
And I felt it coming on
for so long

And oh it could've
It could've killed me
It could've killed me
If it were not for the rain

scout niblett

pictures at an exhibition


2.7.08

theme for tought

greetings to a friend called claudia

film editing























alfred hitchcock «the man who knew too much» 1956
+
as i recall, i prefer the first version with peter lorre.

1.7.08

portraits

one year ago, in long walks on the beach

30.6.08

vertigo

film editing: hitchcock weekend




































«vertigo» 1958

«psycho» 1960

«the byrds» 1963
+
... e assim, de tempos a tempos, todos voltámos a alfred para reaprender tudo o que significa o cinema. é aqui que reecontro os tempos em que não havia video nem dvd mas matinés ou serões televisivos onde hitchcock enchia as medidas a toda a família. agora nunca se vê um filme, mas sim dois e por vezes três de cada vez. já fiz noitadas com ele, e tu? e quantos, quantos mais: rear window, notorious, spellbound, dial m for murder, rope - o meu favorito durante muitos anos - frenzy ou the lodger. tempos houve em que gostei mais de psycho pelo anthony perkins - actor da minha infância - ou do apocalíptico «the byrds» mas «vertigo» é superior em tudo, do argumento à cinematografia, da banda sonora ao cenário, tal como a kim novak bate a janet leigh ou a tippi hedren, essas mulheres loiras que alfred tanto identificava como uma espécie de encarnação do mal.


28.6.08

a última utilidade da bússola



ontem, o rui, que nasceu e vive nesta cidade, contou-me o seu desejo privado de comprar uma bússola para, desinteressadamente, a mostrar sempre que o interpelassem na rua com a frase: ei, ménu, orientas-me um...
também houve aquela dos dois mercados a voar mas esta é imbatível !

26.6.08

vincent gallo

film editing

























emir kusturica «arizona dream» 1993

25.6.08

by this river

23.6.08

we will never ever learn nothing !

the global village

The World's Greatest


I am a mountain,
I am a tall tree, oh,
I am a swift wind sweeping the country.
I am a river down in the valley, oh,
I am a vision and I can see clearly.

If anybody asks you who I am
Just stand up tall
Look 'em in the face and say

I am a giant,
I am an eagle, oh,
I am a lion
Down in the jungle.
I am a marching band,
I am the people, oh,
I am a helping hand.
I am a hero.

If anybody asks you who I am
Just stand up tall
Look 'em in the face and say

I'm that mountain peak up high,
I'm that star up in the sky.
Hey, I made it
I'm the world's greatest.
I'm that little bit of hope
With my back against the ropes.
I can feel it
I'm the world's greatest.

I'm that mountain peak up high,
I'm that star up in the sky.
Hey, I made it
I'm the world's greatest.
I'm that little bit of hope
With my back against the ropes.
I can feel it
I'm the world's greatest.

In the ring of life, I'll reign, love,
And the world will notice a king.




r. kelly /bonnie prince billy


film editing
























tim burton «sleepy hollow» 1999

21.6.08

plastic session #1

give me some respect, man !

19.6.08

trium podium euro 2008

muito bom: deco, nuno gomes, moutinho
bom: pepe, petit, cristiano
razoável: simão, nani, carvalho
mau: paulo ferreira, ricardo, quaresma (és um génio, tens que fazer mais!)
muito mau: scolari no chelsea a meio dos trabalhos (se eu fosse jogador...)
medonho: o jogo contra a suiça (só veio relaxar a pressão que deveria ser constante)

a handbook of jokes?


... e não é que o observador da eufa no jogo portugal-alemanha era o demoníaco mario batta ?!

a vingança serve-se fria...ou quente. tanto faz.


rapazes, pela expulsão do rui costa, é hoje !

pietà


sebald acerca de kafka e da fotografia

Os comentários de Kafka sobre fotografia permitem concluir que para ele esta forma de representação da vida era, no fundo, suspeita. Friedrich Thieberger, por exemplo, lembra-se de ter encontrado Kafka na rua numa altura em que levava debaixo do braço uma caixa disforme, destinada a ampliar fotografias. «Fas fotografias?» foi, segundo escreve Thieberger, a pergunta atónita de Kafka, que acrescenta: «E ainda por cima amplia-as!». Também as obras de Kafka contêm muitos sinais do horror indefinido que ele sentia perante as iminentes transformações da humanidade no início da era da reprodução técnica, nas quais via talvez desenhar-se o fim do indivíduo saído da cultura burguesa. A liberdade de circulação, já de si bastante débil, dos heróis dos seus contos e romances vai sendo mais limitada à medida que são desenvolvidos, ao mesmo tempo que surgem personagens que nascem já sob uma série inescrutável de leis, como os funcionários do tribunal, os dois secretários idiotas e os três hóspedes de A Metamorfose, órgãos executivose cargos cuja natureza puramente ficcional, amoral, é claramente mais adequada a este novo estado de coisas. Na era do Romantismo, o doppelganger, que começou por despertar o medo das máquinas fotográficas, era ainda um fenómeno fantasmagórico e excepcional. Toda a técnica da cópia fotográfica depende em última análise do princípio da duplicação perfeita do original, da potencial produção infinita de cópias. Bastava pegar num desses cartões estereoscópicos para ver tudo a dobrar. E como a cópia perdurava depois de ter desaparecido o copiado, instalava-se a suspeita incómoda de que o original, pessoa ou natureza, tinha um grau de autenticidade inferior à cópia, de que a cópia desgastava o original, do mesmo modo que se diz que aquele que encontra o seu doppelganger se sente destruir.


w. g. sebald, kafka e o cinema em «campo santo»
trad. de telma costa
teorema 2008

sebastiano del piombo entre miguel ângelo e rafael

sebastiano luciani (veneza 1485-roma 1547), vulgo sebastiano del piombo, é um dos meus pintores favoritos. na gemaldegalerie de berlim, entre 20 de junho e 28 de setembro, o magnífico pintor maneirista veneziano será objecto de uma exposição e muito mais do que isso de um, espera-se, fabuloso catáligo que corrigirá, à luz de novos estudos, a própria visão cinzenta que dele faz giorgio vasari nas suas vite. de facto, antecipando as novidades de tão importante estudo, sebastiano del piombo, protegido de miguel ângelo, e até há pouco considerado um pintor menor nas primeiras décadas de quinhentos, parece ter funcionado - mesmo no que diz respeito aos mecenas e à fama - como o terceiro vêrtice entre os dois monstros da pintura italiana. revelou-se um grande rival do próprio rafael e chegou a propor a miguel ângelo adoptar a técnica da pintura a óleo para a obra do juízo final no fundo parietal da capela sistina, técnica que conseguiu «fixar» depois das tentativas de leonardo, opinião aliás que coincide com a ruptura com o seu protector. se vasari parece reduzir sebastiano a um mero discípulo do il divino, a grande e maravilhosa piedade, do museu cívico de viterbo, baseada num cartão do mestre e indicadora da colaboração entre os dois pintores, será porventura o primeiro exemplo de um cenário nocturno realmente conseguido - onde as referências miguelangelescas do desenho são evidentes da natureza «sibilesca» de da Virgem e em alguns pormenor do corpo de Cristo. tudo parece indicar que a sua rivalidade com o grande rafael foi vencida quando, face a uma encomenda de giulio de médicis, o pintor urbinense não consentiu que a sua famosa transfiguração fosse exposta, lado a lado, com a ressureição de lázaro de piombo...
... pelo menos, em algumas regiões da velha europa, a historia da arte continua a existir.
fonte: Descubrir el Arte, nº 112.

18.6.08

pictures at an exhibition


black soul choir

music from closed cabinets



Black Soul Choir

no man ever seen the face of his foe no
he ain't made of flesh & bone
he's the one who sits up
close beside you and
when he's there you are alone
every man is evil
yes every man is a liar
unashamed with the wicked tongues
sing in the black soul choir
no man ever seen the face of my lord no
not since he left his skin
he's the one you keep cold
on the outside girl he's at your door let him in
i will forgive your wrongs
i am able
and for my own i feel great shame
i would offer up a brick to the back of your head boy
if i was cain
.
16 horsepower «sackcloth'n'ashes» 1996

17.6.08

the global village


Blind Men's Cry


The Murdered eye is not dead
A spike still splits it
Nailed up I am coffinless
They drove the nail in my eye
The nailed eye is not dead
And the spike still splits it
Deus misericors
Deus misericors
The hammer pounds my wooden head
The hammer that will make the cross
Deus misericors
Deus misericors
The undertaker birds
Are thus afraid of my body
My gologotha is not over
Lamma lamma sabacthani
Doves of Death
Be thirsty for my body
Red as a gun-port
The sore is on the edge
Like the drooling gum
Of a toothless laughing old woman
The sore is on the edge
Red as a gun-port
I see circles of gold
The white sun bites me
I've two holes pierced by an iron bar
Reddened in the forge of hell
I see a circle of gold
The sky's fire bites me
In the marrow twists
A tear which comes out
I see inside paradise
Miserere de profundis
In my skull twists
A sulfur tear which comes out
Blessed the good dead man
The saved dead man who sleeps
Happy the martyrs the chosen
With the Virgin and the Jesus
Oh blessed the dead man
The judged dead man who sleeps
A knight outside
Reposes without remorse
In the hallowed cemetery
In his granite siesta
The man of stone outside
Has two eyes without remorse
Oh, I feel you still
Yellow moors of Armor
I feel my rosary in my fingers
And Christ in bore on the wood
I gape at you still
O dead Armor Sky
Pardon for praying hard
Lord, if it is fate
My eyes two burning holy-water fonts
The devil puts his fingers inside
Pardon for crying loud
Lord against fate
I hear the northwind
Which bugles like a horn
It is the hunting call for the kill of the dead
I bay enough on my own
I hear the northwind
I hear the horn's knell

diamanda galás

minima poetica

































hoje sinto-me belo.
limpei todas as minhas cavidades sem tocar numa gota de sangue.


13 junho 2008
(à diamanda galás)

helena almeida


coitadinha dedicatória aos «homunculus» deste mundo que têm os olhos abertamente vendados



I've Seen It All

I've seen it all, I have seen the trees,
I've seen the willow leaves dancing in the breeze
I've seen a man killed by his best friend,
And lives that were over before they were spent.
I've seen what I was - I know what I'll be
I've seen it all - there is no more to see!

You haven't seen elephants, kings or Peru!
I'm happy to say I had better to do
What about China? Have you seen the Great Wall?
All walls are great, if the roof doesn't fall!

And the man you will marry?
The home you will share?
To be honest, I really don't care...

You've never been to Niagara Falls?
I have seen water, its water, that's all...
The Eiffel Tower, the Empire State?
My pulse was as high on my very first date!
Your grandson's hand as he plays with your hair?
To be honest, I really don't care...

I've seen it all, I've seen the dark
I've seen the brightness in one little spark.
I've seen what I chose and I've seen what I need,
And that is enough, to want more would be greed.
I've seen what I was and I know what I'll be
I've seen it all - there is no more to see!

You've seen it all and all you have seen
You can always review on your own little screen
The light and the dark, the big and the small
Just keep in mind - you need no more at all
You've seen what you were and know what you'll be
You've seen it all - there is no more to see!

o que fazer quando e depois de se ser atacado por um trio de «homunculus»

o que fazer quando e depois de se ser atacado por um trio de homunculus ? partindo do princípio que se é apanhado de supresa por exemplo pelas costas ou por um dos flancos pois temos dois é muito difícil evitar qualquer fuga pois o assalto é tudo como que assim inesperado. se te derem com pouca ou nenhuma delicadeza um cumprimento com um punho directo numa das tuas faces pois tens duas muito dificilmente manterás o equilíbrio mas no mínimo deves evitar cair no chão pois o resultado pode ser um sapateado por parte do agressor em toda a linha do teu corpo com principal incidência na cabeça vá-se lá saber a razão de tão grande capricho. cercado por três adolescentes que grunhem qualquer coisa é bom que mantenhas a música a tocar no teu walkman pois nada de especial devem ter para te dizer pois tudo o que poderão dizer se tornará inevitavelmente incompreensível o teu mundo moral. ora bem. a tua capacidade de reacção seria minimamente decente se te exercitasses diariamente ou aprendesses uma qualquer arte marcial partindo do princípio que o boxe está fora de questão para pesos plumas a não ser que não o sejas claro está. todavia, sem nenhuma destas armas pessoais e com três homúnculos espumantes ao teu redor deves permanecer o mais calmo possível e tentar continuar a caminhar devagarinho. o mais certo é que o próximo passo dos três estarolas seja empurrar-te contra uma parede e aí deixarás de ter qualquer hipótese de escape. não sendo os ditos cujos minimamente formados em coisas da memória a tua imitação de bogard ou de outro durão do velho cinema americano não te servirá de nada pois nesse preciso momento mesmo que queiras dizer qualquer coisa do tipo «are you fukin' talkin' to me?» ou mesmo as coisas mais banais e com um raiz de antecipação tal como mas o que é que está a acontecer, o que é que vocês querem, querem um cigarrito, querem dinheiro, mas o que é que eu vos fiz, de onde me conhecem, não vos posso ter batido nos tempos da primária porque tenho idade para ser vosso bisavô e coisa e tal nada disto resultará pois agora é o momento deles. a táctica é a seguinte. atenta. é de génio. um deles fica à tua frente e tenta controlar os gritos animalescos de quem te socou berrando que continua a urrar pois quer mais luta corpo a corpo enquanto que o terceiro situado às tuas costas te saca a carteira e ultrapassa-te a correr como se tivese fogo no rabo seguido pelos gritos histéricos dos seus dois amiguinhos. neste momento o mais importante é manter a calma. começar a gritar venham cá é perigoso porque eles podem mesmo vir e então está o caldo entornado e em vez de um carinho na face levas com um longo e doloroso abraço de um polvo de seis mãos e seis pernas. não deves igualmente protestar e chamar nome inapropriados às mãezinhas dos meninos pois com toda a certeza a culpa deve ser dos avós ou de familiares afastados. nunca da mãezinha ou do paizinho. podes culpar o governo mas não adianta. o governo não é uma pessoa. é uma abstracção. também será infrutífero gritar e perguntar-lhes os nomes de cada um para posterior investigação ou então por curiosidade pessoal pois o estado de excitação dos celerados será tal que certamente não se lembrariam de tão difícil questão. não esqueças que o estado de fuga de três adolescentes com uma carteira de um transeunte qualquer que nunca viram na vida os conduz a um estado próximo de alucinação no seu estado mais puro. nesse momento de puro atletismo de alta competição a carga de adrenalina dos rapazolas não deve ter escala médica mensurável. também não adianta dizer-lhes coisas como obrigadinho pelo soco ou estava mesmo a precisar de um abanão porque tenho sido um mau rapaz ou estava cheio de sono e agora já não. não resulta. não te ouvirão porque a distância percorrida será já assinalável e a quadratura das ruas públicas afastam tão fantástica locomoção do teu campo de visão. o passo seguinte é como é evidente telefonar ao 112 isto se não te abafarem o termo tem tudo a ver com os conjurados o telefone móvel. deves descrever a tua situação da forma mais simples possível do estilo acabei de ser agredido e assaltado na rua tal e logo a voz do outro lado te fará perguntas do foro médico para avaliar o teu estado de saúde. no caso de não necessitares de um veículo de reanimação fazem-te o favor de telefonar directamente para a esquadra da zona em questão isto se viveres numa espécie de grande cidade pois se for numa aldeia ou numa pequena vila as forças de segurança ainda estarão certamente a dormir se a cena se passar ao raiar da manhã. esperarás então pela auto-designada autoridade. ela aparecerá entre os quinze minutos à metade de uma hora. um agente da autoridade levantará o auto. far-te-á perguntas do estilo como se chama onde vive que idade tem e outras coisas mais ou menos pessoais e depois pedir-te-á para descrever a situação. interessar-lhe-á saber se a pessoa agredida que és tu partindo do princípio que te consideras agredido pois poderás ir à tua vida e nem sequer pedir nenhum tipo de ajuda mas estava eu a dizer que o dito agente te perguntará se reparaste em algo distinto como por exemplo uma tatuagem ou qualquer distintivo que ligue o grupo ou mesmo um só indivíduo a uma claque de futebol ou que tipo de roupa usavam ou até poderá interessar-se por coisas que para ti te parecerão estranhas questões como: algum deles usava boné? é bem provável que se o acontecimento que viveste apenas tenha a duração de poucos segundos as tuas respostas sejam no mínimo evasivas para o teu interlocutor através de uma série de rotundos não ou não ou não ou foi tudo muito rápido ou cairam-me os óculos e como tal foi difícil fixar pormenores pois não me recordei do truque de transformar os meus olhos num oriental ou mesmo desculpe mas começou uma chuva miudinha e eu comecei a pensar se não teria sido melhor ter trazido o guarda-chuva. sente-te livre para pedir ajuda ao agente da autoridade para tentar percorrer contigo o lajedo do acontecimento e encontrar os teus óculos caso os uses e poderá até ser que éis que eles aí estão a descansar no granito. ora, depois de tudo isso, o agente dir-te-á que te deves deslocar à polícia no dia seguinte e depois ao instituto de medicina legal com uma notificação nas mãos para que sejam avaliadas as tuas lesões corporais ou não. a dia seguinte será sempre um novo dia. é muito improvável que sejas assaltado novamente. se o receio for monstruoso poderás sempre ficar em casa e encomendares qualquer coisa para trincar até ultrapassares os teus medos. ou podes com muita sorte logo depois dos primeiros raios de sol receber um telefonema do dito agente que se deslocará a tua casa e te entregará pessoalmente a notificação para ires no dia seguinte ao instituto de medicina legal realizar os referidos exames médicos e como é evidente o consciente e amável agente da autoridade perguntar-te-á se te recordas de mais algum pormenor para além daquela obscura lembrança do dia anterior que se ficou pelo eram três néscios com menos de dezoito anos e um deles era mais baixo que o dos punhos e mais moreno do que este e talvez do que o terceiro que para mal dos meus pecados não tive o prazer de fixar com o meu olhar. a partir daqui irás ou não pois fica ao teu critério ao instituto de medicina legal se os lesões forem graves ou então aproveitarás a oportunidade para usufruires uma consulta preventiva. torna-se evidente que o registo de assalto e agressão terá que passar pelo dito exame pois de outra forma não há prova provada de nada. deves por isso tentar conservar alguma parte do teu corpo lesionado pois caso contrário e respirando saúde passarás o exame com brilhantismo e ficas de mãos a abanar. o dia seguinte poderá igualmente trazer-te algum golpe de sorte como por exemplo receberes um telefonema de alguém a informar-te que tem na sua posse alguns dos teus cartões que encontrou no meio da rua. nesta situação deves encontrar-te com ele para ele te devolver a documentação e ficará sempre bem propores a partilha de uma bebida ou outro tipo de compensação. se a pessoa em questão for honesta apenas ficará feliz por fazer um outro feliz. no meio de tudo isto podes todavia passar por um grande desapontamento. os cartões que os três informados rapazes não acharam dignos de levarem consigo deverão refereir-se a instituições de saúde do tipo sistema nacional de saúde ou então a lojas de banda desenhada ou mesmo o próprio cartão da tua companhia do teu telefone móvel que se revelará inútil quando o roubo não comportou tão utilíssimo objecto. toda esta situação é perfeitamente normal no caso de o bando de salteadores não usarem capas e voarem mas revelarem uma saúde impecável como se confirmou pela louca correria com que enveredaram rua abaixo depois de terem ficado na posse de um objecto pessoal de outrém com cartões inúteis e uma nota de cinco ou dez euros o que dará no mínimo para comprar três bonés se não forem de marca segundo se pode conjecturar. não será necessário recordar a ninguém que a primeira coisa a fazer aquando de um roubo deste calibre será telefonar para a linha directa do seu banco pessoal e anular de imediato todo e qualquer cartão de débito ou crédito que tenha sido furtado pois tal facto está para além do bom senso sendo sim de natureza instintiva dada a nossa absoluta dependência de qualquer tipo de moeda. em jeito de conclusão convirá que nem tudo poderá correr bem e que embora a esperança seja a última a morrer é bem provável que ela esteja disposta a isso mais cedo do que esperaria e portanto as suas hipóteses de recuperar os seus vetustos cartões universitários que faziam parte da sua memória e por si mesmos irrecuperáveis são no máximo do tamanho de uma amiba. mas poderás perguntar a ti mesmo: como poderão ter confundido a utilidade de dois ultrapassados cartões de estudante universitário quando os ditos simpáticos seres humanos e muito dados ao contacto humano te ficaram também com o cartão de uma multinacional muito conhecida que vende toneladas de livros, filmes e discos. ah, meus sacanitas, conseguirão eles usar os meus três descontos de seis por cento num dia à escolha ?

... TO MY SISTER

... TO MY SISTER
porque no fim, no fim, quando estamos perto do abismo...
Quando ia a estender os braços, tudo desapareceu.

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Good night, my love, the brightest star in my sky.

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