i will make you know me not

i will make you know me not

this ... sort of a diary

this... sort of things !

The hour of the waning of love has beset us, and weary and worn are our sad souls now, let us part, ere the season of passion forget us, with a kiss and a tear on thy drooping brow

LORIEN'S HYPNEROTOMACHIA

24.11.09

roger dean


Joseph Addison «Os Prazeres da Imaginação» 1712

Capítulo V


Adde tot egrégias urbes, operumque laborem. Virgílio

Mostrado já como afectam à imaginação as obras da natureza e consideradas depois em geral tanto as obras desta como as da arte, visto como se ajudam e aperfeiçoam mutuamente, formando aquelas cenas e prospectos mais a propósito para deleitar ao espectador: reunirei neste capítulo algumas reflexões sobre aquela arte que se encaminha mais imediatamente que qualquer outra a causar aqueles prazeres primários da imaginação, que até este momento foram o assunto do meu discurso. Falo da arquitectura, sobre a qual considerarei somente no que respeita à luz em que a colocaram as especulações precedentes e sem entrar nas regras e máximas estabelecidas pelos grandes mestres da arte e desenvolvidas largamente em muitos tratados.

A grandeza nas obras de arquitectura pode considerar-se no que respeita ao tamanho ou corpo do edifício ou à maneira em que está fabricado. No que toca ao primeiro achamos os antigos, especialmente os Orientais, muito superiores aos modernos.

Sem falar da torre de Babel, da qual diz um autor antigo em cujo tempo se viam ainda os seus cimentos, que semelhava a uma grande montanha, que coisa mais nobre que os muros da Babilónia, seus jardins (suspensos), e o seu templo a Júpiter Belo, que se levantava uma milha em altura por oito diversos níveis, sendo cada alto de um estádio, e tendo em cima o observatório (babilónico)? Igualmente poderia fazer a descrição daquela grande rocha que figurava a Semiramis com aquelas rochas mais pequenas delineadas em forma de Reis tributários, e o prodigioso Chafariz ou lago artificial, que recebia todo o Eufrates, até que depois se formou um canal novo para este fim. Sei que há pessoas que têm por fábulas todas estas maravilhas da arte, mas não encontro mais fundamento para essa suspeita que não verse sobre nós obras desta classe. Certamente naqueles tempos e países havia mais inclinação que nos nossos para erguer tais edifícios (a terra era extremamente fértil). Os homens, no geral, mantinham-se da vida pastoril que não necessitava de tantas mãos na agricultura. Havia menos ofícios em que dar ocupação à parte trabalhadora do género humano, e menos artes e ciências para empregar-se nelas os homens especulativos; e sobretudo, o príncipe era absoluto, tanto, que quando ia para a guerra se punha defronte do povo inteiro. Assim vemos que Semíramis capitaneou três milhões de homens; e, não obstante, foi oprimida pelo número inferior dos seus inimigos . Não é de admirar, pois, que quando Semíramis estava em paz e dirigia as suas preocupações a erguer edifícios, pudesse acabar obras tão grandes com tal multidão de trabalhadores. Para além disto, naquele país apenas se interrompiam as obras pelos Invernos ou gelos, enquanto que nos países do Norte os trabalhadores têm que estar ociosos metade do ano. Entre os benefícios do clima pode mencionar-se o betume ou argamassa natural de que falam os historiadores do Oriente, o qual é sem dúvida o mesmo que fala a Sagrada Escritura, e que serviu na fábrica da torre de Babel. Usavam lodo em vez de argamassa.

No Egipto vemos ainda as pirâmides, as quais correspondem às descrições que nos ficaram delas, e não duvido que um viajante poderá encontrar algumas relíquias do labirinto que cobria uma província inteira, e que tinha cem templos nos seus diversos quartéis e divisões.

As muralhas da China são um dos edifícios magníficos do Oriente que fazem figura no mundo, embora a sua descrição se tomaria por fabulosa se não subsistissem ainda as muralhas.

Devemos à devoção os edifícios mais nobres que embelezam os diversos países do mundo. Ela fez construir os templos e lugares públicos de adoração, não só para que através da sua magnificência convidem à divindade a residir neles, mas também para que tão pasmosas obras possam inspirar ao mesmo tempo ao ânimo pensamentos grandes, e fazê-lo capaz de conversar com a divindade, porque todo o majestoso infunde respeito e reverência ao ânimo e faz sentir à criatura a grandeza ou dignidade da alma.

Em segundo lugar, devemos considerar a grandeza de maneira na arquitectura. Esta grandeza tem tal força sobre a imaginação, que em advertindo-se concede ao ânimo ideias muito mais nobres que outra de um tamanho vinte vezes maior; mas cuja maneira é ordinária ou mesquinha. Por ela se teria admirado muito mais o ar majestoso que aparecia numa das estátuas de Alexandre, o Grande feita por Lisipo, do tamanho do natural, que se admirava de todo o monte Athos, se conforme ao pensamento de Fídias se tivesse figurado nele este herói, com um rio numa mão e na outra uma cidade.

Qualquer reflexão sobre a disposição de ânimo com se ache ao entrar pela primeira vez no panteão de Roma (e como a sua imaginação se enche de grandeza e assombro), considere ao mesmo tempo quão pouca sensação faz em comparação a vista do interior de uma Igreja Gótica, embora seja cinco vezes maior que aquele, e advertirá que a diferença de impressão e de ideias não pode provir senão da grandeza de maneira de um e da pequenez, ou mesquinhez da outra .

Acerca desta matéria li uma observação de um autor francês, a qual me agradou muito. Esta observação resulta de um paralelismo da arquitectura antiga e moderna de Mr. Fréart, e a comunicarei ao leitor com os mesmos termos da arte de que usa: «Estou a observar, diz, uma coisa que em meu entender é muito curiosa, de onde provém que numa mesma quantidade de superfícies uma maneira parece grande e magnífica e a outra pobre e trivial. A razão é fina e singular. Para introduzir na arquitectura esta grandeza de maneira, devemos proceder de sorte que a divisão dos membros principais da ordem conste de poucas partes, a fim de que cada uma delas seja grande, e de um grandioso e amplo relevo e volume, e que não vendo a imaginação coisa pequena e mesquinha, possa receber uma sensação mais vigorosa da obra que se tem à vista. Por exemplo, numa cornija, se a gola ou cimácio da coroa, o troquilo ou meia-cana, os modilhões ou dintéis, fazem uma nobre vista pelas suas graciosas projecções; senão vemos a confusão ordinária, resultado de aquelas pequenas cavidades, quartéis de astrágalo, e outras muitas partes interpoladas, que não produzem efeito algum nos monumentos grandes e sólidos, e os quais se empregam inutilmente com prejuízo do membro principal; é muito certo que esta maneira parecerá grande. Pelo contrário, só se conseguirá um efeito pobre e mesquinho, sempre que haja redundância daqueles mais pequenos ornatos que dividem e esparramam os ângulos da vista em tal multitude de raios tão comprimidos entre si, que o todo resulta confuso.»

Entre todas as figuras ou formas da arquitectura, nenhuma tem melhor ar que a côncava ou convexa; e tanto na antiga como na moderna, assim nas remotas partes da China, como nas perto das nossas regiões, achamos que os pilares redondos ou colunas e os tectos arqueados entram em grande parte nos edifícios destinados à pompa e à magnificência. A razão disto é porque em tais figuras vemos geralmente maior porção do corpo ou da massa que em figuras de outra espécie. Na verdade há figuras de corpos em que a vista pode deter-se em duas terceiras partes da superfície; mas como em tais corpos é preciso que a mesma se quebre em diversos ângulos, não lhe dão estes uma ideia uniforme, senão várias da mesma classe. Olhemos o exterior de uma cúpula e veremos que os nossos olhos médios a rodeiam: olhemos o interior e a veremos toda de uma só vez. A concavidade inteira cai de uma vez dentro do olho, sendo a vista como o centro que reúne em si todas as linhas da circunferência. Num pilar quadrado ou pilastra, a vista muitas vezes não descobre senão a quarta parte da sua superfície, e num côncavo quadrado é preciso que se mova para cima e para baixo e em todas as direcções antes de se dar conta de toda a superfície interior. Por esta razão a fantasia se deleita mais ao ver por meio de um arco a atmosfera ou os céus, que por meio de um quadrado ou outra figura. A do arco-íris contribui não menos à sua magnificência, que a cor à sua beleza, como descreve muito poeticamente o filho de Sirach: Observa o Arco-íris, e louva aquele que o fez: muito belo na sua cintilação, abarca os céus com um glorioso círculo, e as mãos do Altíssimo o inclinou .

Tendo eu falado de toda aquela grandeza que o ânimo reconhece na arquitectura, podia em seguida mostrar o prazer que sente a imaginação no novo ou belo que descobre nesta arte. Mas como qualquer naturalmente percebe maior gosto destas duas perfeições tendo à vista o edifício, que pelas reflexões que eu pudesse fazer, me abstenho de molestar com elas o leitor. Para o objectivo presente basta observar que em toda esta arte nada há que mais agrade à imaginação senão o que é grande, incomum ou belo.

(trad. carlos ruão)

ludwig

home cinema




















luchino visconti «luís da baviera» 1972

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23.11.09

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22.11.09

a guitarra de steven wilson


21 de novembro de 2009. porto. teatro sá da bandeira. porcupine tree. e perguntam vocês. será possível depois do grande concerto do ano passado, voltar ao lugar do crime e fazer ainda melhor ? resposta: sim. será possível fazer um completo novo espectáculo, pondo de lado a maior parte dos temas mais conhecidos e ainda fazer um espectáculo superior ? resposta: sim. será possível que eu me tenha sentido como nos velhinhos concertos no ano passado e repetir-se a experiência ao mesmo nível ? resposta: sim. está tudo explicado. novo «show» de steven wilson e companheiros com duas partes, sendo a primeira inteiramente dedicada ao novo longa-duração «the incident». o povo, que é como quem diz, não só foi paciente como pareceu ficar ainda mais impressionado com a qualidade sonora e musical da gerência em questão. steven gostou e chegou até a brincar com o público, o que é em raro - dizendo que não tocam temas a pedido - e a apresentar os músicos não ingleses - guitarra e baixo - com extractos de «born in usa» e «down under». pequeno momento de comédia. tal como o aspirador antes do início do concerto para que os pezinhos de steven deslizassem suavemente pela alcatifa. adiante. o mais impressionante em tudo isto é que steven wilson parece tocar guitarra como quem bebe um copo de água. porra, pá, não havia necessidade ! não és o maior mas és o maior, pá ! espero que voltes para o ano e tragas um novo disco.

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21.11.09

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20.11.09

one more day to go, man !

a handbook of jokes ?
















.... bring me something nice, i'm gonna take myself home 
for a change !

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Joã de Ruã archyteto

Ninguém marcou com maior fulgor o Renascimento em Coimbra como João de Ruão (1500-1580). O seu lugar no panteão da Escultura em Portugal é inquestionável e a sua arte e oficina fixaram um estilo escultórico e ornamental inconfundível e identificável em toda a região durante mais de um século posterior à sua morte. Não obstante, reduzir Ruão a um brilhante mestre imaginário é uma visão limitada do seu papel como artista moderno consciente dos valores artísticos do seu tempo. São conhecidas as referências documentais ao mestre como «archyteto» mas mais relevante do que esse pioneirismo no uso da nomenclatura, quando confrontados com a obra que tomou a seu cargo, facilmente se demonstra que o seu espectro artístico foi bem mais abrangente.


Atentemos, em primeira instância, à sua especialização como arquitecto de retábulos, noção essencial para uma percepção mais alargada da sua mais valia arquitectónica. Não obstante a sua qualidade no esculpir imagens de vulto redondo e em relevo, os seus espectaculares cenários retabulares foram a sua imagem de marca, criando tipologias repetidas por discípulos e mestres que contactaram, directa e indirectamente, com a sua oficina. Ruão sintetiza em estruturas monumentais, primeiro na Sé da Guarda e depois na Capela do Santíssimo Sacramento da Sé Velha de Coimbra toda a sua obra artística – escultórica e arquitectónica. A dicotomia entre a Arquitectura e a Escultura é uma constante nas obras máximas do mestre normando, mas não devemos entender as suas estruturas cenográficas, pensadas como se funcionassem como um palco para a imaginária, fora do seu esqueleto arquitectónico. Obra máxima da sua carreira como escultor e arquitecto, a Capela do Santíssimo Sacramento da Sé Velha (1566) é acima de tudo uma obra de arquitectura para a qual Ruão projectou um semi-círculo alongado, corpo altimétrico suportando a estrutura retabular de dois registos e cúpula hemisférica coroada por lanternim. O exterior revela de forma clara o corpo circular da capela e a sua estrutura arquitectónica.

Alinhado com a cultura humanista da época, João de Ruão foi, como poucos, um cultor vanguardista da planta centralizada, símbolo da perfeição para o Alto Renascimento – o círculo como formalismo puro e universal. Obra-prima da designada primeira fase da sua obra, o Templete do Claustro da Manga de Santa Cruz de Coimbra, edificado na década de 30, é uma verdadeira pérola do renascimento português, desenho em tudo original e acerca do qual ainda hoje se tenta encontrar o modelo directo de inspiração – sendo que o seu significado poderá passar por uma fons vitae pétrea. O projecto é de uma harmonia planimétrica única com templete central com colunas coríntias de fuste liso unido por arcos botantes de sabor medievo a quatro capelas oratórias. Na mesma década e também para Santa Cruz de Coimbra, projectará o Convento de São Salvador da Serra do Pilar, em Gaia, obra iniciada por Ruão e Diogo de Castilho em 1537. Mesmo sabendo que a actual igreja é de construção posterior – sendo que o claustro foi edificado segundo o risco original – a existência de um projecto primitivo que comportava uma dupla-rotunda foi certamente devedor à escola coimbrã sendo Ruão o único com antecedentes e precedentes tipológico-arquitectónicos na sua biografia. Nesta linha de pensamento, o seu nome é hipótese primeira para a autoria da Capela dos Reis Magos do Mosteiro de São Marcos (1574). Se tomarmos a execução material do desenho arquitectónico, uma vez mais estamos na presença de uma planta centralizada, quadrangular, rematada por cúpula hemisférica suportada por triângulos esféricos e por uma altimetria e ornamentação bem dentro dos cânones ruanescos.

Por último, refira-se ainda que grande parte da documentação conhecida o relaciona com projectos arquitectónicos em muito dos quais se destaca como projectista. Em jeito de breve mas substantiva súmula tome-se em linha de conta os seguintes exemplos: Com a data de 1528, o portal da igreja da Atalaia é a sua primeira obra no nosso país, trabalho magnífico inspirado nos modelos antigos dos arcos triunfais romanos e do qual o primeiro registo da Porta Especiosa da Sé Velha de Coimbra (1530) será uma réplica mais elaborada deste modelo. No que respeita à Porta Especiosa, a opinião da historiografia artística portuguesa parece ser consensual no atribuir a mestre Ruão o desenho que revela a sua marca e engenho, representando em pedra calcária uma estrutura arquitectónica e cenográfica inspirada na arquitectura efémera. A Capela do Santíssimo Sacramento da igreja paroquial de Cantanhede – onde Ruão se encontra documentado a 1542 – denota em toda a sua extensão a mão e qualidade do mestre francês e sua oficina. Pela documentação de 1546 e 1549 não restam dúvidas que o projecto inicial da Misericórdia de Coimbra, sita originalmente na baixa da cidade, foi igualmente de sua autoria, incorporando a obra intestina da capela, a parafernália retabular (1557) e a célebre varãda ou loggia, que se pode contemplar numa gravura impressa em Colónia em 1572. A documentação referente ao Colégio das Artes, reformulado a partir de 1548, é igualmente taxativa e identifica o debuxo de Ruão, incorporando duas varandas ou câmaras sobrepostas que organizavam todo o espaço arquitetónico interior. O longo e acidentado trabalho na Igreja do Salvador de Bouças, em Matosinhos, através dos contratos assinados com a Universidade de Coimbra, projecto de reconstrução iniciado em 1559 e concluído pelo discípulo Tomé Velho (1579), apesar da profunda reforma posterior, revela ainda visível a estrutura da arcaria jónica das naves no interior do tempo, claramente identificável com a escola ruanesca. O mesmo se passa com a Capela do Tesoureiro de São Domingos de Coimbra, edificada depois de 1558 e acerca da qual existem pagamentos ao mestre em 1565 no que respeita à capela e retábulo. O Hospital Real de Coimbra, fundado em tempos de D. Manuel foi, segundo contrato de 1567 celebrado com Bernardim Frade e António Fernandes, realizado segundo a traca e debuxo que pera isso fez Juam de Ruam e onde a estrutura original, apesar de muito modificada, ainda se pode observar na praça velha, com andar térreo com arcaria e colunas dóricas e um andar nobre com sacadas, algumas delas já do século XVII. De alguma maneira simbólica é, nesta circunstância, e segundo documento revelado recentemente por António Filipe Pimentel, a trasa e debuxo que fez Jº de Ruão para a edificação da Torre da Universidade de Coimbra (1561), modelo anterior a esse verdadeiro ex-libris da casa da sabedoria da cidade.

João de Ruão foi um dos primeiros mestres portugueses a representar mais ou menos fielmente aquilo que se designa historiograficamente por artista-arquitecto. Não foi apenas um brilhante modelador de esculturas em calcário ou um hábil mestre de oficina. Artista do seu tempo, multi-facetado e multi-disciplinar, conseguiu emular os grandes mestres renascentistas europeus que tanto debuxavam micro-arquitecturas em estruturas retabulares como projectavam edifícios inteiros, consciente que na essência da sua arte estava a eterna lei do debuxo.

Carlos Ruão
Doutorado em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

(artigo a publicar a breve trecho na revista Rua Larga - Universidade de Coimbra)

19.11.09

music from closed cabinets







The Dark Don't Hide It

Something held me down it made me make a promise

That I wouldn’t tell if the truth forgets about us
Saying it now comes easily
After finding out how you’ve been using me

At least the dark don’t hide it

You only said you wanted friends
For long enough to get rid of them
You found the kind you knew would only kill you
So you surrounded yourself with them

At least the dark don’t hide it

Now the world was empty on the day when they made it
But heaven needed someplace to throw all the shit
Human hearts and pain should never be separate
They wouldn’t tear themselves apart both trying to fit

At least the dark don’t hide it

Now death is gonna hold us up in the mirror
And say we’re so much alike we must be brothers
See I had a job to do but people like you
Been doing it for me to one another

At least I don’t hide it
 
magnolia electric co. what comes after the blues 2005
secretly canadian records

my library


18.11.09

my personal conversion


Imagine

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today...
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace...
You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world...
You may say I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one

Crippled Inside

you can shine you're shoes
and wear a suit
you can comb your hair
and look quite cute
you can hide your face
behind a smile
one thing you can't hide
is when you're crippled inside
you wear a mask
and paint your face
you can call yourself
the human race
you can wear a collar
and a tie
but the one thing you
can't hide is when you're
crippled inside
well now you know that your
cat has nine lives babe
nine loves to itself
but you only got one
and a dog life ain't no fun
mamma take a look outside.
you can go to church
and sing a hymn
judge me by the color
of my skin
you can live a lie until you die
one thing you can't hide
is when you're crippled inside.

Jealous Guy

I was dreaming of the past
and my heart was beating fast
I began to lose control
I began to lose control
I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh my I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy
I was feeling insecure
You might not love me anymore
I was shivering inside
I was shivering inside
Oh I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh my I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy
I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh my I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy
I was trying to catch your eyes
I thought that you were trying to hide
I was swallowing my pain
I was swallowing my pain
I didn't mean to hurt you
I'm sorry that I made you cry
Oh my I didn't want to hurt you
I'm just a jealous guy
watch out baby
I'm just a jealous guy
Look out baby
I'm just a jealous guy

It's So Hard

you got to live
you got to love you got to be
somebody you got to shove
but it's so hard, it's really hard
sometimes i feel like going
down
you got to eat
you got to drink
you got to feel something
you got to worry
it's so hard, it's really hard
sometimes i feel like going
down
but when it's good it's oh so
good
and when i hold you in
arms baby
sometimes i feel like going
down
you got to run
you got to hide
you got to keep your woman
satisfied
but it's so hard, it's really hard
sometimes i feel like going
down


I Don't Want to Be a Soldier

well, i don't wanna be a
soldier mama, i don't wanna
die
well, i don't wanna be a
sailor mama, i don't wanna
fly
well, i don't wanna be a
failure mama, i don't wanna
cry
well, i don't wanna be a
soldier mama, i don't wanna
die
oh no oh no oh no oh no
well, i don't wanna be a
rich man mama, i don't wanna
cry
well, i don't wanna be a
poor man mama, i don't wanna
fly
well, i don't wanna be a
lawyer mama, i don't wanna
lie
well, i don't wanna be a
soldier mama, i don't wanna
die
oh no oh no oh no oh no oh no
oh no
well, i don't wanna be a
beggar mama, i don't wanna
die
well, i don't wanna be a
thief now mama, i don't wanna
fly
well, i don't wanna be a
churchman mama, i don't wanna
cry
well, i don't wanna be a
soldier mama, i don't wanna
die
oh no oh no oh no oh no


Give Me Some Truth

i'm sick and tired of hearing
things
from uptight-short sighted-
narrow minded hypocritics
all i want is the truth
just give me some truth
i've had enough of reading
things
by nuerotic-pyschotic-
pig headed politicians
all i want is the truth
just give me some truth
no short haired-yellow bellied
son of tricky dicky
is gonna mother hubbard
soft soap me
with just a pocketful of hope
money for dope
money for rope
i'm sick to death of seeing
things
from tight lipped-
condescending -mommies little
chauvinists
all i want is the truth
just give me some truth
i've had enough of watching
scenes
of schizophrenic - ego - centric
- paranoic - prima - donnas
all i want is the truth
just give me some truth

Oh My Love

oh my love for the first time in
my life
my eyes are wide open
oh my lover for the first time in
my life
my eyes can see
i see the wind, oh i see the
trees
everything is clear in my heart
i see the clouds, oh i see the
sky
everything is clear in our world
oh my love for the first time in
my life
my mind is wide open
oh my lover for the first time in
my life
my mind can feel
i feel sorrow, oh i feel dreams
everything is clear in my heart
everything is clear in our world
i feel life, oh i feel love

How Do You Sleep

so sgt. pepper took you by
surprise
you better see right through that
mother's eyes
those freaks was right when they
said you was you was dead
the one mistake you made was
in your head
how do you sleep?
ah how do you sleep at night?
you live with straights who tell
you you was king
jum when your mamma tell
you anything
the only thing you done was
yesterday
and since you've gone it's just
another day
how do you sleep?
ah how do you sleep at night?
a pretty face may last a year
or two
but pretty soon they'll see
what you can do
the sound you make is muzak
to my ears
you must have learned
something all those years
how do you sleep?
ah how do you sleep at night?

How?

how can i go forward when i
don't know
which way i'm facing?
how can i go forward when i
don't know which way to turn?
how can i go forward into
something
i'm not sure of? oh no, oh no.
how can i have feeling when i
don't know
if it's a feeling?
how can i feel something if i
just don't know how to feel?
how can i have feelings when
my feelings have always been
denied? oh no, oh no.
how can i give love when i
don't
know what it is i'm giving?
how can i give love when i
just don't know how to give?
how can i give love when love
is something
i ain't never had? oh no, oh no.
you know life can be long
and you got to be strong
and the world is so tough
sometimes i feel i've had
enough. oh no, oh no.
how can we go forward when i
don't know which way
we're facing?
how can we go forward when
we don't know which way to
turn?
how can we go forward into
something we're
not sure of? oh no, oh no.

Oh Yoko

in the middle of the night
in the middle of the night i call
your name
oh yoko, oh yoko, my love will
turn you on
in the middle of the bath
in the middle of the bath i call
your name
oh yoko, oh yoko, my love will
turn you on
my love will turn you on
in the middle of a shave
in the middle of a shave i call your name
oh yoko, oh yoko, my love will
turn you on
in the middle of a dream
in the middle of a dream i call
your name
oh yoko, oh yoko, my love will
turn you on
my love will turn you on
in the middle of a cloud
in the middle of a cloud i call
your name
oh yoko, oh yoko, my love will
turn you on
my love will turn you on
oh yoko, oh yoko, my love will
turn you on
my love will turn you on

John Lennon Imagine 1971

dark entries

the sleepless walrus


give me a hug
sgt. pepper
crash me between a victim and a failure
and there we go again


give me a shot
a painless one
you stupid man, drag yourself in a click-clock
man-erg
i've learn to love you not


give me a dot
sgt. pepper
flash me between or an hour late
and there we go again


you were right
but
there's nothing i can do
a concubine put you to rest
and there is nothing i can do with your spectacles
by selling you within against your will


how do you sleep now ?
how do you sleep now ?
how do you sleep now ?

cr
(ao estúpido do john, depois da conversão)



mulder's phrase book

mulder doesn't like you, you or you, by the way, because he's framed by causality !
.

the global village











Home

Home is where the heart is,
Home is so remote
Home is just emotion sticking in my throat

Let's go to your place
Let's go to your place

Home is where the heart is,
Home is so remote
Home is just emotion sticking in my throat

Home is hard to swallow,
Home is like a rock
Home is good clean living,
Home is - I forgot

Let's go to your place
Let's go to your place
Let's go to your place
Let's go to your place

Home is so suspicious,
Home is close control
Home is will you miss us,
Home is, I don't know

Let's go to your place
Let's go to your place
Let's go to your place
Let's go to your place

Home is aggrovation,
Home is so much fuss
Home is mind your business, thank you very much

Let's go to your place
Let's go to your place
Let's go to your place
Let's go to your place

I don't want to go back,
I don't want to go back,
I don't want to go back anymore...
.
lene lovich + logan's run

maps on her wrists and arms

music from the 80's secret cabinets











and also the trees

and also the trees 1984
.
1. So This is Silence
2. Talk Without Words
3. Midnight Garden
4. The Tease The Tear
5. Impulse of Men
6. Shrine
7. Twilights Pool
8. Out Of The Moving Life

virus meadow 1986
.
1. Slow Pulse Bow
2. Map In Her Wrists And Arms
3. The Dwelling Place
4. Vincent Craine
5. Jack
6. The Headless Clay Woman
7. Gone... Like The Shadows
8. Virus Meadow
.
the band of justin jones (guitar) and simon huw jones (vocals) or joy division on trees

my library


17.11.09

francesco di giorgio martini's manuscript


mulder's phrase book

mulder spent the day with francesco and learn a few things : another view on  the relationship between music and architecture in the 15th century but will not tell you nothing of a kind !
.

work the beat

music from the 80's secret cabinets





















Experimental Products Prototype 1982
.
1. Modern Living
2. Sweet Rejection
3. New Project
4. Feeling Left Out
5. Nightmares part 1
6. The Addict
7. Anesthetic
8. Streetwalk
9. Clear Images
10. Nightmares part 2
+
minimal synth-pop band members: mark wilde and michael gross

tempos de verão

home cinema



















olivier assayas «tempos de verão» 2008
.
enfim. sobre a perda do passado perante um presente consumido e que nos ensina que este mundo já ou nunca mais será nosso. ou como sempre ou quase sempre foi, é e será assim para quem fica para trás. um recado de como a história dos outros, por mais rica que seja, se perderá inevitavelmente ou cristalizará como inutilidade de peça de vitrine de museu. reveja a sua própria família, por favor !

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16.11.09

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15.11.09

home cinema











takashi ishii «gonin» 1995

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14.11.09

Joseph Addison «Os Prazeres da Imaginação» 1712

Capítulo IV


…Alterius sic Altera poscit opem res & conjurat amicè. Horácio

Se considerarmos as obras da natureza e as da arte no que diz respeito à sua aptidão a divertir a imaginação, acharemos as segundas muito deficientes em comparação com as primeiras. As obras da arte podem parecer por vezes tão belas ou singulares como as da natureza, mas nunca terão aquela desmedida grandeza e imensidade que transporta a alma ao contemplar as daquela. A arte pode ser na execução tão polida e delicada como a natureza, mas jamais poderá manifestar-se tão augusta e magnífica no desenho. Há mais grandiosidade e mestria nos toscos e desalinhados golpes da natureza que nos delicados toques e adornos da arte. As belezas de um jardim ou do palácio mais sumptuoso estão definidas num curto recinto: a imaginação imediatamente o ultrapassa e pede algo mais para acabar de satisfazer-se, mas nos espaçosos campos da natureza (a vista) repasta-se de uma variedade infinita de imagens e vagueia por todas as partes sem que nada a contenha. Por esta razão vemos sempre os poetas apaixonados pelo campo, onde a natureza se mostra na sua maior perfeição e apresenta todas aquelas cenas que mais podem deleitar a fantasia:

Scriptorum chorus omnis amat menum et fugit Urbes. Horácio

Hic Secura quies, et nescia fallere vita,
Dives opum variarum ; hic otia fundis,
Spelunce, vivique lacus, hic frigida Tempe,
Mugitusque boum, mollesque sub arbore somni. Virgílio

Embora algumas destas cenas campestres sejam mais deliciosas que todos as panorâmicas da arte achamos, porém, mais agradáveis as obras da natureza quanto mais se parecem com as da arte porque, neste caso, o prazer que produzem nasce de um princípio duplo, do agrado que os objectos causam à vista e da semelhança com outros objectos. Compraz-nos tanto comparar as suas belezas como examiná-las e podemos apresentá-las à mente como cópias ou como originais. Daqui provém o deleite que nos causa a vista de um país tortuoso e variado de campos, prados, bosques e regatos, a de uma paisagem casual de árvores, nuvens e cidades que se encontram às vezes nas veias dos mármores, a das curiosas gravuras que se encontram em algumas pedras e grutas e, numa palavra, na de quantas coisas que têm tão grau de variedade e regularidade, que sendo obra do acaso poderiam sê-lo da arte.

Se as produções da natureza se apreciam mais quanto mais se assemelham às das artes, podemos também estar certos que as desta recebem a sua maior perfeição de semelhança àquelas porque, então, não só é agradável a semelhança como mais perfeito o seu modelo. Jamais vi paisagem tão linda como aquela formada por uma câmara obscura (instrumento óptico bem conhecido) na parede de um lugar obscuro onde figurava um rio navegável e um parque. (A experiência é muito comum em óptica.) Por um lado descobrem-se as águas e o movimento das ondas com fortes e próprias cores e se via um navio que entrava por um estreito e ia navegando por todo o rio. Por outro lado, deixavam-se ver as verdes sombras das árvores mexendo-se ao vento e manadas de cervos (em miniatura) brincando (na parede). É preciso confessar que a novidade de semelhante vista pode ser causa do prazer da imaginação, mas a razão principal é certamente a sua semelhança com a natureza, tal como noutras pinturas, nos dá não só as cores e figuras, como os movimentos das coisas representadas.

Observamos anteriormente que, em geral, se encontra na natureza mais grandiosidade e algo mais augusto que quando falámos das curiosidades da arte. Portanto, quando vemos esta imitando de alguma maneira as obras da natureza, recebemos um prazer mais nobre e elevado que quantos nos dão os artefactos mais delicados e mais bem trabalhados. Por esta razão os jardins ingleses não são tão alegres à fantasia como os de França e Itália, onde vemos uma larga extensão de terreno coberta da agradável mistura de jardim e floresta que apresenta, no seu conjunto, uma rudeza artificial muito mais grandiosa e encantadora que o asseio e elegância dos jardins ingleses. Na verdade poderá ser prejudicial ao público, e de nenhum proveito aos particulares, retirar tanto terreno aos pastos e lavoura num pais tão povoado como aquele, e cultivado com tanto esmero. Mas, por que não se poderia fazer de uma propriedade inteira uma espécie de jardim, enchendo-a de terras de cultivo que pudessem redundar tanto em proveito como em agrado do proprietário? Umas vinhas em paragem pantanosa, uma montanha sombreada de azinheiras, não só são mais belas como mais úteis que quando se abandonam aqueles mesmos terrenos e se deixam sem cultivo e sem adorno. Uma sementeira torna a vista agradável e se se prestar um pouco de cuidado aos sulcos que se fazem entre as ceifas de diferentes desenhos, se as bordas naturais dos prados se ajudassem e melhorassem com algum aditamento da arte, se as diversas fileiras dos terrenos se dividissem com as árvores e as flores que permitisse o terreno, faria qualquer país bonito pelas suas próprias possessões.

Os escritores que trataram da China asseguram que os chineses se riem dos terrenos dos europeus feitos com regras e em linha, porque dizem qualquer um pode colocar árvores em fileiras e figuras uniformes. Preferem manifestar algum engenho em obras desta classe e ocultam sempre a arte que os governa. Segundo se diz, têm no seu idioma uma palavra para expressar a beleza peculiar de um terreno, beleza que fere a imaginação à primeira vista e sem que se descubra a causa de tão agradável efeito. Pelo contrário, os jardins ingleses, em lugar de lisonjear a natureza, comprazem-se em fazer a resistência possível. As árvores alçam-se em cones, globos e pirâmides e em qualquer planta ou arbusto vemos o sinal da «tixera». Serei acaso singular neste meu modo de pensar, mas com mais gosto vejo uma árvore em toda a sua folhagem e altivez que disposta e contornada em alguma figura matemática e um jardim florido e ameno me parece (infinitamente) mais delicioso que todos os primorosos labirintos do jardim mais acabado. Mas como os jardineiros ingleses têm os seus armazéns de plantas bem providos, é muito natural que procurem desterrar dos terrenos todas as árvores de fruto e dispor planos que redundam em proveito seu, tomando somente plantas e árvores sempre verdes.

(trad. carlos ruão)

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13.11.09

play me a song for the weekend, man !

dark entries

life longs the one who's gone out for a spin !

deliver me from my bed
deliver me from fishing
deliver me from asteroids
once scales were all my lifespan and not

deliver me from forniture
deliver me from books
deliver me from this shining bugs
once scales were all my lifespan and not

deliver me from shiver
deliver me from drunkness
deliver me from the fall of grace
once scales were all my lifespan and that was all and all

and not a minute to spare
life longs the one who's gone out for a spin !

deliver me from bravery
deliver me from truth
deliver me from this filth
once scales were all my lifespan and that was all and all

trash me in your childhood
you'll not ever regret me
fish me
caged me
take me out for a fuck

undress my skull
undress my skull
undress my skull

i will beg you once you're dead and buried
in the deep yellow sea

cr (a kim ki-duk)

a handbook of jokes ?






















fishing blood on the riverside !

drifting apart

music from the 80's secret cabinets
















personal effects this is it 1984

1. I had everything
2. No one can get to you
3. Bring out the jazz
4. X melody
5. Fascinating game
6. End of the world
7. Drifting apart
8. What's the attraction
9. Security
10. A mess
11. Porch
12. This is it
13. Main trail
14. Mojave
15. My desire
16. Simple things

the isle

home cinema























kim ki-duk «the isle» 2000
.
como incondicional do japonês kitano torno-me, pouco a pouco, num incondicional do coreano kim ki-duk. o horrível título português desta película - «o bordel do lago» - tem como resultado passar ao lado do que se passa dentro do filme, e que não passe a redundância.
o que o cinema de kim ki-duk tem de cruelmente belo não é para as tripas de todos mas só para alguns. 
a paixão em kim ki-duk é doentia e verdadeira.
apetecer-me-ia escrever muito mais sobre isto mas seria certamente doloroso ou puro masoquismo. 
quase quase tão belo como «o arco» mas talvez daqui a uns tempos diga o contrário.

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11.11.09

takeshi kitano


home cinema























takeshi kitano «takeshi's» 2005
.
a trilogia autobiográfica começa aqui, intensa e crua

music from closed cabinets


Stumbled

Wash your hands clean,
don’t let anybody see the dirty work.
Keep those secrets
locked away from sight forever,
hidden safely where your darker side still runs berserk.

So much stored-up resentment,
all that background fallout from so long ago,
it’s still here to haunt you.
In a trunk locked in the attic
are the clothes that dressed the actions
you discarded but you can’t outgrow.
There’s a false wall in the basement
where you hide away the history you dare not put on show.

And when the hammer hits the nail upon the thumb
then the unvarnished truth is what you stumble on.

On your best behaviour,
keep on playing out the lily-white,
but you’ll always be stuck there,
going round and round in circles,
the mistakes which you repeat form up the framework
which defines your life.

You couldn’t quantify the depths you’d have to plumb
or the damage you’ve collaterally done...
still your own footprints are the tracks you stumble on.

And it’s less by design than by random occurrence
that you filled up your timer, that you built up the current
to spark the life you’ve led, the person you’ve become.
With the end in sight the excuses are all gone.

The truth is, this conclusion’s what you’ve stumbled on:
behind you lies the wreckage that you’ve stumbled from.

peter hammill thin air 2009
safasound records

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10.11.09

the wire


vou manter este «post» inacabado durante algum tempo. certamente. o objectivo será ou melhor seria escrever sobre a série norte-americana «the wire» que terminei de ver esta semana. cinco temporadas da mais pura e boa televisão. eh pá, a televisão também tem coisas boas! tudo começou com o j.m. que me convidou a ver a série como sendo, e cito-o, a melhor série jamais feita para televisão. vi a primeira temporada e devorei as duas seguintes numa semana e não resisti a comprar tudo e de novo devorei as duas últimas em pouco pouco tempo. passei entretanto o culto à p. e ao m. cá para mim vamos falar disto até aos finais das nossas vidas.
(...)

mulder's phrase book

mulder's off, for the record !
.

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9.11.09

onde estavas tu a 9 do 11 de 1989 ?

em novembro de 1989 não via televisão nem comprava jornais. não era politicamente neutro mas era como fosse. estaria ainda para nascer a minha costela anarquista. estava a emergir a minha paixão pela história da arte e coisas assim e portanto pouco me importava o mundo onde vivia. a minha vida era a faculdade de letras da universidade de coimbra. não obstante, dos poucos acontecimentos que recordo ter tido impacto sobre mim foi este. foi como que um rasgo. à época tomava muito possivelmente a divisão da europa como uma eternidade histórica. e de repente um grande passo na história aconteceu defronte dos meus olhos. lembro-me de ter ficado confuso. fiquei com um registo que guardo com paixão. um número especial da photo dedicado aos movimentos de libertação que de berlim se espalharam por toda a europa do leste. e depois vi com deslumbre e em directo o remake de the wall por roger waters em berlim. 21 de julho de 1990. foi um acontecimento. tivemos que pedir uma televisão emprestada, convidamos uns amigos e vimo-lo sentados no chão da nossa sala sem móveis. em 1989 estava a começar a ser homem, o que é que querem ?

there will be blood

home cinema
























paul thomas anderson «there will be blood» 2007
.
não vi esta maravilha quando no ano transacto esteve em exibição. fiquei-me pela longa metragem dos irmãos cohen com o javier barden. mea culpa. deveria tê-lo visto no cinema. que me perdoem os fãs de «boggie nights» e de «magnolia», mas «there will be blood» é ainda melhor que os anteriores. não é que ligue muito a essas coisas, aliás não ligo mesma nada, mas se não atribuíssem o óscar de melhor actor a daniel day lewis teria sido uma profunda injustiça. que coisa ! um filme de um actor !. e, a partir de agora, quando falar do magnífico «magnolia» trarei sempre comigo o fantasma de «there will be blood» às costas. 

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8.11.09

Joseph Addison «Os Prazeres da Imaginação» 1712

Capítulo III

… Causa latet, uis este notissima… Ovídio

No capítulo antecedente vimos como pode dar prazer à imaginação tudo o que seja grande, novo ou belo, mas advertimos acerca da impossibilidade de assinalar a causa eficiente deste prazer, porque não compreendemos a natureza de uma ideia, nem a essência da alma humana, o qual nos permitiria ajudar-nos a descobrir a conformidade ou desconformidade de uma com a outra. Assim, por falta desta luz, o único recurso que nos resta em indagações desta classe é reflectir sobre aquelas operações da alma que nos são mais agradáveis e especificar com separação e pela sua ordem o que é agradável ou desagradável ao ânimo, sem poder esboçar ou assinalar as diversas causas necessárias e eficientes de onde dimana o nosso prazer ou desprazer.

As causas finais são mais conhecidas e ao alcance da nossa observação: e pelo comum se encontram muitas relativas a um mesmo objecto. Por outro lado, embora estas não sejam geralmente tão satisfatórias ou convincentes como as eficientes, são sempre mais úteis que aquelas, porquanto nos dão mais ocasiões e motivos de reconhecer com admiração a bondade do Fazedor Supremo.

Uma das causas finais do prazer que sentimos nas coisas grandiosas pode ser a essência mesma da alma do homem, que não encontra a sua última, completa e própria felicidade a não ser no Ser Supremo. Desta sorte, e porque uma grande parte da nossa felicidade é necessário que resulte da contemplação daquele Ser, a fim de que as nossas almas sintam verdadeiro prazer nessa contemplação, as criou dispostas naturalmente a deleitar-se na observação de tudo o que seja grandioso, e não conheça limites alguns. A admiração, movimento muito agradável ao ânimo, excita-se em nós logo que consideremos um objecto que ocupa muito à fantasia e, por conseguinte, esta admiração passará a ser o maior assombro e um vivo sentimento de devoção quando contemplamos a sua natureza, que não está circunscrita por tempo nem lugar, nem pode ser compreendida por criatura alguma da maior capacidade.

O Fazedor fez acompanhar o prazer secreto a uma ideia de toda a coisa nova (ou pouco comum), para animarmos a adquirir conhecimento, e empenharmos a investigar as maravilhas da criação. A este fim cada ideia nova trás consigo um prazer tal que nos compensa das penas da sua aquisição e, por conseguinte, é motivo para nos excitar a empreender novas descobertas.

Em toda e cada uma das diferentes ordens de criaturas fez agradável o mesmo Ser Supremo tudo o que é belo na sua própria espécie, com o objectivo de que todas se animem a multiplicar-se e perpetuá-la; porque se todos os animais não sentissem um estímulo e ardor ao observar a beleza da sua casta, acabariam as gerações e se despovoaria a terra. É de salientar que se (por desgraça) a natureza produz algo monstruoso, resultado de uma mistura sobrenatural, o tal monstro é incapaz de produzir outros semelhantes e de fundar uma nova ordem de seres.

Por último, foi feito agradável o que é belo em outros objectos, ou melhor foi feito que pareçam belos tantos objectos, para que a criação inteira resultará mais risonha e deliciosa. Concedeu a quase todos os objectos que nos rodeiam o poder de excitar na imaginação alguma ideia agradável, de tal sorte, que nos é impossível observar as suas obras com frialdade e mesmo indiferença, e examinar tantas belezas sem uma satisfação e complacência interior. As coisas pareceriam desapreciáveis à vista se as víssemos somente nas suas figuras reais e movimentos próprios e que razão poderíamos assinalar para que possam existir em nós tantas ideias de qualidades, como de luz e cores, as quais são distintas de quanto existe nos objectos mesmos, senão a de adicionar novos adornos ao universo e tornar este mais agradável à imaginação ? Em todo o lado nos divertimos com perspectivas e visões agradáveis. Descobrimos glórias imaginárias nos céus e na terra, e vemos derramada uma parte desta visionária beleza (derramada) sobre todas as obras da criação. Que desapreciável nos pareceria um bosque da natureza se desaparecesse todo o seu colorido e faltassem as diversas distinções de luz e sombras! Em breve as nossas almas encontrar-se-iam deliciosamente perdidas e alienadas numa plácida ilusão; e passeamo-nos por todos esses lugares como o herói encantado de um romance, que vê formosos palácios, selvas e prados, e ouve ao mesmo tempo o garganteio dos pássaros e o murmúrio dos arroios, e ao acabar-se algum secreto encanto desaparece a cena fantástica; e o desconsolado cavaleiro se encontra num campo estéril ou algum solitário deserto. Não deixa de ser provável que o estado de alma, depois de separada do corpo, se assemelhará a este estado no que respeita às imagens que recebe da matéria, embora as ideias das cores são certamente tão belas e tão agradáveis à imaginação, que acaso não estará privada delas a alma, recebendo-as de alguma outra causa ocasional; assim como ao presente as recebe pelas diferentes impressões da matéria subtil sobre o órgão da visão.

Procedi sob o pressuposto de que o leitor estará inteirado da descoberta destes últimos tempos, reconhecido internacionalmente, a saber: que a luz e as cores, quando apreendidas pela imaginação, são apenas ideias do ânimo e não qualidades existentes na matéria, verdade incontestável provada por muitos filósofos modernos e uma das mais delicadas especulações da filosofia natural, e quem quiser isto mesmo verificar pode recorrer ao cap. 8 do livro II do Ensaio sobre o entendimento humano de Locke.

(tradução: carlos ruão)

home cinema























john huston «the unforgiven» 1960

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6.11.09

der sozialismus, genossem

o socialismo, camaradas

O socialismo em si é valioso
É importante que o conservemos
Mas o vosso – vejam-no! Uma ruína
Mal acabaram de o construir
Ainda não está terminado.
Assim não dá!
Isso tem que desaparecer outra vez
Senão nunca poderá daí resultar nada

O socialismo, camaradas
Precisa de ar
Para respirar, para construir
Os grandes palácios, não são afinal também construídos com ar?
O socialismo, o vosso, dispuseram-no demasiado apertado
Soltem-lhe aqui uma coluna, ali um pilar
Em breve verão como ele se mexe
Como ele desce do pedestal, se inclina humildemente
Perante os seus numerosos críticos
Vejam: ele ajoelha-se e dá finalmente lugar
Ao socialismo melhor

Como vocês o mereceram, um dia.
O sonharam outrora.
Na altura, quando eu ainda era jovem!
Agora vocês estão gordos e dobrados
E quando eu vos gozo
Vocês nem sequer conseguem rir!
No entanto, camaradas, o socialismo é uma ideia tão grande,
A esperança das pessoas
Sem o socialismo a História não avança
Pode ser cancelada, não conduz a nada mais!
O socialismo, oh sim!
Infelizmente, as maiores ideias malogram sempre
Com as mais pequenas fraquezas das pessoas
Principalmente dos funcionários,
Já dizia o nosso Pastor.
O que nos ajuda contra isso?
O socialismo em si.
Não o real, construído, não!
O concreto!
Como ele realmente seria, se existisse mesmo!
Se ele não apenas real, mas também…
Não, realmente, camaradas…
Deve-se poder afinal esperar por tal coisa!
O vosso entusiasmo na honra,
E contudo, vocês não podiam ser mais prudentes?

Vocês dizem: Aqui está! Este é o nosso socialismo!
Camaradas, isso não se diz assim!
Vocês têm que o dizer de uma nova maneira
Não o digam de forma tão dogmática!
Digam: Ele tornou-se uma merda!
Isso convence!
Assim ganham-se amigos
Mesmo que seja um inimigo de classe
Naturalmente, camaradas, também importa estar atento
Contudo quanto ao inimigo de classe ainda se pode conversar
Peçam-lhe apenas, muito educadamente, que,
De forma amistosa, não se intrometa
Digam-lhe que vocês também se mantêm longe do dele
E então ele vai-vos deixar em paz.
Se vocês, numa diferença de opinião pluralista, considerarem o socialismo,
Os seus prós e contras, os seus contras e prós, de início ao início, do novo ao novo,
Se é um socialismo assim ou assado, ou se tem que ser um outro
Camaradas, não mostrem nenhum tipo de força
Isso expõe-vos apenas como fraqueza
O que é bom vence por si mesmo,
Já pensava Jesus
À volta espreita o inimigo.
Deixem-no espreitar para dentro
Afundem as vossas armas! Isso vai assustá-lo de morte.
Ele vai sufocar com o seu medo. Ou também não.
Esse é o risco. Mas se ele sufocar. Como ficam vocês?
Maravilhosamente! Brilhantes, sem nenhum pozinho de ortodoxia.

Camaradas, aceitem o meu conselho e deixem-se converter
Senão eu vou-me queixar de vocês
À “Stern”, à “Spiegel” e à “Faz”
Eles têm sempre lugar para tais coisas. Ámen.


Dieter Süverkrüp,
Der Sozialismus, Genossen
1977

mulder's phrase book

mulder spent a week less than a week long, smeg !
.

play me a song for the weekend, man !

knowing i loved my books... 09

«Dissolveram-se na minha boca, insípidamente, reconfortantemente, as últimas drageias de arsénico (Arsenicum album). À minha esquerda, na mesa de trabalho, tenho um exemplar do Satiricon, de Caio Petrónio. À minha direita, o aromático tabuleiro do chá, com as suas delicadas porcelanas e os seus frascos nutrientes. Dir-se-ia que as páginas do livro estão gastas por inumeráveis leituras; o chá é da China; as torradas são estaliças e ténues; o mel é de abelhas que libaram flores de acácias, de malmequeres e de lilases. É assim, neste limitado paraíso, que começarei a escrever a história do assassinato de Bosque del Mar.
De acordo com o meu ponto de vista, o primeiro capítulo decorre num vagão-restaurante, no comboio nocturno para Salinas. Partilham a minha mesa um casal amigo - diletantes na literatura e bem sucedidos em ganadaria - e uma indescritível senhorita. Estimulado pelo consommé, pormenorizei-lhes as minhas intenções: em busca de uma voluptuosa e fecunda solidão - quer dizer, em busca de mim mesmo - dirigia-me para essa nova estância balnear descoberta pelos mais refinados entusiastas da vida junto da natureza: Bosque del Mar. Havia já algum tempo que eu acariciava este projecto, mas as exigências do consultório - pertenço, devo confessá-lo, à confraria de Hipócrates - iam adiando as minhas férias. O casal assimilou com interesse a minha franca declaração: embora eu fosse um médico respeitável - sigo, invariavelmente, os passos de Hahnemann - escrevia, com diferente ventura, argumentos para o cinematógrafo. Agora, a Gaúcho Film Inc. encomendava-me a adaptação, à época actual e ao ambiente argentino, do tumultuoso livro de Petrónio. Tornara-se imprescindível uma reclusão na praia.
Retirámo-nos para os nossos compartimentos. Um pouco depois, envolto nas espessas mantas ferroviárias, o meu espírito ainta entoava a grata sensação de ter sido compreendido. Uma súbita inquietação abrandou essa felicidade: não teria agido levianamente? Não tinha eu mesmo posto nas mãos desse casal inexperiente os elementos necessários para que ficassem com as minhas ideias? Compreendi que era inútil congeminar. O meu espírito, sempre dócil, procurou um refúgio na antecipada contemplação das árvores à beira do oceano. Esforço em vão. Ainda me encontrava na antecâmara desses pinhais... Como Betteredge, em Robinson Crusoe, recorri ao meu Petrónio. Li com renovada admiração o parágrafo:

Creio que os nossos rapazes são tão tontos porque nas escolas não lhes falam de coisas reais, mas de piratas emboscados, com correntes, na margem; de tiranos a prepararem éditos que condenam os filhos a decapiutar os seus próprios pais, de oráculos consultados em tempos de epidemias, que ordenam a imolação de três ou mais virgens...

O conselho é, ainda hoje, oportuno. Quando renunciaremos ao romance policial, ao romance fantástico e a todo esse fecundo, diversificado e ambicioso campo da literatura que se alimenta de irrealidades? Quando encaminharemos os nossos passos para a picaresca saudável e para o ameno quadro de costumes?
O cheiro a maresia já começava a penetrar pela janela. Fechei-a. Adormeci.»

adolfo bioy casares e silvina ocampo quem ama, odeia 1946
trad. jorge fallorca
oficina do livro

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5.11.09

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4.11.09

better off without a wife

claude lévi-strauss (1908-2009)

















E se todos os homens da cultura fossem assim ... ou da natureza dos grandes homens da Humanidade, sim, da triste Humanidade !

Apesar de odiar as viagens, é como abre Tristes Trópicos...
... É verdade, mas há muito tempo que não viajo. Se insiste, dou uma resposta simples, mas que muito provavelmente não o satisfará.
Quando comecei a trabalhar, quase há 70 anos, a população mundial andava à volta de dois mil milhões de pessoas; no fim da minha existência esse número triplicou, dá qualquer coisa como seis mil milhões. Para mim isso representa qualquer coisa de catastrófico. Absolutamente inimaginável! É um mjundo que não tem qualquer semelhança com o que conheci quando era jovem. Como quer que me pronuncie sobre o seu estado?
Aos 90 anos, como se vê a si próprio? Vê-se como um sábio?
Ah não|! Ao longo da minha existência, fiz os possíveis para me divertir ou, se quiser, para não me aborrecer (risos). Foi por isso que trabalhei, porque se não o fizesse aborrecer-me-ia imenso. Escrevi apenas para passar o tempo. E não dou qualquer importância a isso.
Os que o leram dão. Por que razão se apaga tanto?
Se calhar, isso é que é ser sábio! (risos). Os outros deram-me uma certa importância em certo momento, sobretudo os da mesma geração, nos anos 50, 60, 70. Hoje não se interessam pelo que faço ou fiz. E acho que bem que assim seja.
O senhor é um dos sobreviventes de toda uma geração de pensadores e escritores - Braudel, Lucien Febvre, Merleau-Ponty, Raymond Aran, Dumézil, Breton, Max Ernst, Marcel Duchamp, Lacan, Alexandre Koyré, Foucault, Jakobson, a lista é interminável. Tem consciência da referência intelectual que representa?
Mas eu não sou uma referência. O que se passa é que vivi mais, sou mais velho. É tudo!

(Entrevista feita por Carlos Câmara Leme publicada no jornal Público a 11 de Abril de 1999)

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cy endfield «mysterious island» 1961
+
adaptação da célebre história de jules verne, a «ilha misteriosa» é um verdadeiro clássico do género, com a «stop motion» do grande roy harryhausen e a banda sonora de bernard hermann ; aqui, o capitão nemo encontra a sua morte.

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3.11.09

whirlpool

antónio sérgio
















como muitos outros, gravei perdidas cassetes com o teu «som da frente» (1982-1993), programa radiofónico que marcou uma geração e que chegou a caracterizar, à época, aquilo que hoje se designa indie music. contigo todos nós escutamos, em primeira mão, muita coisa que nunca ouviríamos num portugal seco e pobre. tu moldaste, de alguma maneira, o bom gosto pop português.
não me recordo já daquilo que ouvi pela primeira vez no teu programa mas foram coisas como echo and the bunnymen, the sound ou this mortal coil. pensando melhor, de certeza que foi no «som da frente» que escutei whirlpool dos the sound!
 marcaste mesmo aqueles que, como eu, andavam no liceu a navegar também noutras águas e noutros tempos.
se sou melómano a culpa também passou muito por ti.
obrigado sérgio!

mulder's phrase book

mulder's at peace, at least for the moment, as it should be !
.

logan's run

Box is even worse than Lucifer !


home cinema


michael anderson «logan's run» 1976

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2.11.09

steve reich & bang on a can

steve reich & bang on a can



1 de novembro de 2009. centro cultural de belém. lisboa. 21h. rever steve reich foi, acima de tudo, um calmo momento de felicidade. curto, aliás. muito curto. esteve em palco apenas por duas vezes mas a sua aura estava em todo o lado. steve é daquelas pessoas que têm aura, acreditemos ou não. tenho que dizer o seguinte: chego o não perceber como é possível que steve reich seja o meu compositor favorito com as suas composições ricas de harmonia e finura quando tenho uma personalidade tão desequilibrada. estaria bem mais preparado para outros mas assim não é. e sobre o philip glass o que poderia dizer não estaria igualmente muito longe disto. adiante. um concerto de pouco mais de uma hora com duas partes. tudo começou com clapping music de 1972 com steve e o percurssionista david cossin em palco. seguiu-se-lhe new york conterpoint de 1985 e o clarinete de evan ziporyn como solista sob registo pré-gravado. o momento mais espectacular, sob o ponto de vista cénico, estava reservado para piano phase/video phase. sob a peça composta por steve reich em 1967, david cossin interagiu com a célebre peça/video por ele feita em 2000. intervalo e cigarro. a segunda parte começa com music for pieces of wood, versão arranjada por cossin e com steve de novo em palco. seguiu-se-lhe electric counterpoint 1987, originalmente composta para pat metheny, de novo com registos pré-gravados acompanhados pela guitarra de mark stewart. tudo terminou com o portentoso sextet de 1984, com os membros dos bang on a can a pintarem musicalmente uma extraordinária interpretação. uma calma apoteose. como steve reich.

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30.10.09

david harrow on keyboards and sax in anne clark's «our darkness»

music from the 80's secret cabinets




















david harrow «the succession» 1983

1. Introduction
2. Whitout Sin
3. Driving Force
4. Our Little Girl
5. Here
6. Kick
7. Still Optimistic
8. Civilised
9. Belief
.
... bastará dizer que david harrow trabalhou em «pressure points» e «hopeless cases» de anne clark e depois com p. o. genesis dos throbbing gristle e psychic tv ou é preciso mencionar que é, para além disso, um dos fundadores do «techno» ?

Joseph Addison «Os Prazeres da Imaginação» 1712

Capítulo II

Divisum sic breve fiet Opus. Marcial

Considerarei primeiro aqueles prazeres da imaginação que nos dá a visão presencial e o exame dos objectos exteriores. Julgo que todos eles dimanam da vista de algo grande, singular e belo. Na verdade, num objecto pode encontrar-se algo tão terrível e ofensivo que o horror e repulsa que excita supere o prazer que resulta da sua grandeza, novidade ou beleza. Mas, então, este horror e repulsa são acompanhados por uma mistura de prazer proporcionado pelo grau que sobressai e predomine alguma das três qualidades.

Por grandeza não entendo somente o tamanho de um objecto peculiar, mas a extensão de uma perspectiva inteira considerada como uma só peça. A esta classe pertencem as vistas de um campo aberto, um grande deserto inculto e as grandes massas de montanhas, penhascos e precipícios elevados, e uma vasta extensão de águas, em que não nos faz tanta sensação a novidade ou beleza destes objectos, como aquela espécie de magnificência que se descobre nestes portentos da natureza. A imaginação apetece aproximar-se de um objecto e apoderar-se de alguma coisa que seja demasiado corpulenta para a sua capacidade. Caímos num assombro agradável ao ver tais coisas sem fim e sentimos interiormente uma deliciosa inquietude e espanto (quando as apreendemos). O ânimo do homem enfada naturalmente o freio e está disposto a imaginar-se aprisionado, quando a vista está contida dentro de um curto recinto, e encurtada por todas as partes pela proximidade das paredes ou das montanhas. Pelo contrário, um horizonte espaçoso trás consigo a imagem da liberdade: os olhos têm campo para se explanarem na imensidade das vistas e para perder-se na sua variedade de objectos que se apresentam por si mesmos à sua observação. Tão extensas e ilimitadas vistas são tão agradáveis à imaginação como o são ao entendimento as especulações da eternidade e do infinito. Mas se a esta grandeza se junta a beleza ou a singularidade, como num Oceano modificado, o céu adornado de estrelas e meteoros ou um terreno espaçoso variado com (bosques, penhascos) prados e regatos, aumenta o prazer porque se reúnem as suas fontes ou princípios.

Tudo o que é novo ou singular causa prazer à imaginação, porque alcança o ânimo de uma surpresa agradável, lisonjeia a sua curiosidade, e dá-lhe ideia de coisas que antes não tinha possuído. Estamos, em verdade, tão familiarizados com certa espécie de objectos e tão enfastiados com a repetição das mesmas coisas que tudo quanto seja novo ou singular contribui não pouco para diversificar a vida e a divertir um pouco o ânimo com a sua estranheza, porque esta serve de alívio aquele tédio de que nos queixamos continuamente nas nossas ordinárias e usuais ocupações. Esta mesma estranheza ou novidade é a que presta encantos a um monstro, e nos torna agradáveis as imperfeições mesmas da natureza. Esta é o que recomenda a variedade, em que incessantemente é chamado o ânimo a alguma coisa nova sem deixar que a sua atenção se detenha muito tempo num objecto e se enfastie. Esta é igualmente a que aperfeiçoa todo o grandioso e o formoso, dando ao mesmo tempo ao ânimo redobrado entendimento. Vales, campos e arvoredos são agradáveis à vista em qualquer estação do ano, mas jamais o são tanto como no início da primavera, porque então estão frescos e recentes e em todo o seu lustre e altivez, e a vista tinha perdido à algum tempo a sua familiaridade com estes objectos. Assim tão pouco há coisa que mais anime uma paisagem que as ribeiras correntes e cascatas; em que a cena varia perenemente e entretém a cada instante a vista com alguma coisa nova. Molesta-nos vivamente contemplar outeiros e vales onde cada coisa continua fixa e estável e no mesmo lugar e postura: e, pelo contrário, os nossos pensamentos encontram agitação e alívio à vista daqueles objectos que estão sempre em movimento e deslizando perante os olhos do espectador.

Mas nada existe que mais directamente encaminhe a alma que a beleza, a qual difunde logo uma satisfação e complacência secreta pela imaginação, e concede a perfeição última a tudo o que é grande ou singular. Basta descobri-la para que na mente penetre uma alegria interior, e para que se espalhe um agrado e deleite por todas as faculdades. Não existe uma beleza ou deformidade real maior numa peça de matéria do que na outra, porque se tivéssemos sido formados de uma maneira que agora é repulsiva , talvez nos parecesse agradável, mas a experiência diz-nos que há certas modificações da matéria, as quais sem exame prévio as vemos, logo à primeira vista, como belas ou disformes. Desta maneira vemos que cada espécie diferente de criaturas sensíveis têm noções diferentes da beleza e que cada uma delas penetra mais nas belezas da sua espécie. Em nenhum lado isto é mais notável que nas aves da mesma forma e proporção. Entre elas vemos o macho galanteando a fêmea tão só pelo colorido da plumagem e sem encontrar encanto algum a não ser na cor das da sua espécie.

Scit thalamo servare fidem, sanctasque veretur
Connubii leges, non illum in pectore candor
Sollicitat niveus; neque pravum accendit amorem
Splendida Lanugo, vel honesta in vertice crista,
Purpureusve nitorpennarum ; ast agmina laté
Foemina explorat cautus, masculasque requirit
Cognatas, parisbusque interlita corpora guttis :
Ni faceret, pictis sylvam circum undique monstris
Confusam aspiceres vulgó, partusque biformes,
Et genus ambiguum, et Veneris monumenta nefandae.
Hinc merula in nigro se oblectat nigra marito,
Hinc socium lasciva petit Noctua tetram
Canitiem alarum et Glaucos miratur ocellos.
Nempe sibi semper constat, crescitque quotannis
Lucida progenies, castos confessa parentes ;
Dum virides inter saltus lucosque sonoros
Vere novo exultat, plumasque decora Juventus
Explicat ad solem, patriisque coloribus ardet

Para além da beleza da nossa própria espécie, encontrámos outra em diversas proporções da arte e da natureza, as quais embora não trabalhem na nossa imaginação com o ardor e a violência daquela, excitam em nós um deleite secreto e uma espécie de terna afeição aos objectos que na qual a descobrimos. Esta beleza consiste ou na alegria ou na variedade das cores, na simetria e proporção das partes, na ordenação e disposição dos corpos, ou na adequada concordância de todas estas matérias. De todas estas diversas classes de beleza nenhuma apraz mais à vista que a das cores. Boa prova é o uso que fazem os poetas, os quais dirigindo-se sempre à imaginação tomam delas mais epítetos que de qualquer outro objecto. Em toda a natureza não se apresenta vista mais esplêndida e agradável que a dos céus ao raiar ou ao pôr-do-sol, pelas diferentes refracções da luz formadas nas nuvens de diferentes espessuras e atitudes.

Como a fantasia se deleita em tudo o que é grandioso, singular ou belo e é tanto maior o seu prazer quanto mais perfeições descobre num mesmo objecto, é igualmente capaz de receber novo prazer sempre que outro lhe subministre algo diverso do que recebe através da vista. Desta maneira um som continuado, como a música das aves, ou o ruído de uma cascata, desperta a cada instante o ânimo do espectador e torna-o mais atento às diversas belezas do objecto que tem presente. Pela mesma razão, se se percebe a fragrância de alguns odores ou aromas, estes realçam os prazeres da imaginação e tornam mais agradáveis as cores e a verdura de uma paisagem, porque as ideias excitadas pelas impressões de ambos os sentidos se ajudam mutuamente, e são mais deliciosas quando estão juntas do que dirigindo-se ao ânimo separadamente. Assim como as cores de uma mesma pintura, quando estão bem dispostas, prestam esplendor umas às outras recebendo cada uma nova beleza pela sua situação vantajosa.

(tradução: carlos ruão)

home cinema
























peter hyams «capricorn one» 1978

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29.10.09

mulder's phrase book

mulder's on sleeping mood since last night's philosophical trail
.

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28.10.09

fences of pale

mulder's phrase book

when scully said, «loneliness is a choice»,
mulder pick up the gun and tear down the walls of his room !
.

roy harryhausen


clash of titans

home cinema
























desmon davies «clash of titans» 1981
.
pois, eu gosto destas coisas, o mito de perseus, filho de zeus e danae, uma vez mais com os espectacularmente engenhosos efeitos de roy harryhausen

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27.10.09

mulder's phrase book

mulder's off the scale and out for a cool beer with an anthem on his mind and bearers of meaning in stand by !
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26.10.09

head

desculpe, glorioso, quantos é que foram hoje ?



mulder's phrase book

all afternoon, mulder was catching fireflies along with jason molina and antonio averlino
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jason and the argonauts

home cinema























don chaffey «jason and the argonauts» 1963
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uma pérola com a animação stop motion de roy harryhausen e banda sonora de bernand herrman

Joseph Addison «Os Prazeres da Imaginação» 1712

Capítulo I


Avia Pieridum peragro loca, nulluis ante Trita solo; juvat íntegros accedere fonteis; Atque haurire. Lucrécio

A visão é o mais perfeito e delicioso de todos os nossos sentidos. Apresenta ao ânimo as mais diversas ideias, conversa com os objectos à maior distância e continua mais tempo em acção sem cansar-se nem saciar-se tão imediatamente do que goza. O tacto pode, sem dúvida, dar-nos a ideia de extensão, da figura e das demais propriedades da matéria, com a excepção das cores, mas é muito diminuto e limitado nas suas operações no que diz respeito ao número, ao tamanho e à distância (dos seus peculiares) objectos. Parece que a visão se dirige a suprir todos estes defeitos e que pode considerar-se como uma espécie de tacto mais delicado e difuso, que se estende a uma multitude infinita de corpos, compreende as figuras mais extensas e facilita-nos as partes mais remotas do universo.

Este sentido dispõe de ideias à imaginação. Assim, por prazeres da imaginação ou da fantasia, palavras que usarei promiscuamente, somente entendo os prazeres que nos dão os objectos visíveis, seja os que vemos, seja os que excitam as suas ideias por meio de pinturas, estátuas, descrições e outras coisas semelhantes. Na verdade, a fantasia não pode apresentar-nos uma só imagem que não tenha sido primeiro vista, mas podemos retê-la, alterá-la, compor as imagens recebidas e formar a partir dela pinturas e visões que mais agradem à fantasia de tal modo que, através desta faculdade, um homem fechado num calabouço pode entreter-se com cenas e paisagens mais belas que quantas se encontram em toda a natureza.

Poucas palavras se empregam em sentido mais vago e geral que imaginação e fantasia. Por esta razão me parece indispensável fixar e determinar a noção que tenho formada delas e o sentido que penso dar-lhes na série destas especulações, pois só deste modo poderá o leitor conceber bem o assunto que trato. Por prazeres da imaginação entendo somente aqueles que nascem do olhar, e que são de duas classes. Falarei desde logo daqueles prazeres primários que provêm inteiramente dos objectos quando os temos presentes. Depois tratarei dos prazeres secundários, que dimanam das ideias dos objectos visíveis, recordadas e formadas em visões agradáveis de coisas ausentes ou quiméricas.

Os prazeres da imaginação, tomados na sua maior extensão, não são tão grosseiros como os que nos oferecem os demais sentidos, nem tão depurados como os do entendimento. Estes últimos são geralmente preferíveis, porque se fundam em algum conhecimento novo ou melhoramento do ânimo. De facto, é forçoso confessar que os prazeres da imaginação comparados com os do entendimento, não são menores, nem causam menor entusiasmo (a alma desfruta tanto de uma bela paisagem como de uma demonstração, e mais leitores foram seduzidos por uma descrição de Homero que por um capítulo de Aristóteles.) Para além disso, os prazeres da imaginação trazem consigo a vantagem de serem mais óbvios ou mais fáceis de adquirir que os do entendimento. Basta abrir os olhos e surge uma cena. Com pouca atenção da parte do observador se pintam por si mesmas as cores da fantasia. Sem saber como, causa-nos sensação a simetria de uma coisa que vemos e reconhecemos instantaneamente a beleza de um objecto sem necessidade de indagar a sua causa.

Aquele que possui uma imaginação delicada participa de muitos e grandes prazeres, de que não pode disfrutar o homem vulgar. Pode conversar com uma pintura e descobrir numa estátua uma companhia agradável, encontra um detalhe secreto numa descrição e às vezes sente maior satisfação na perspectiva dos campos e dos prados, que a que tem outro em possuí-los. A viveza da sua imaginação dá-lhe uma espécie de propriedade sobre o que olha e faz que sirvam aos seus prazeres as partes mais agrestes da natureza; (em verdade põe tanta viveza em todas as coisas que observa que inclusive disfruta dos terrenos mais baldios; assim contempla o mundo sob uma luz especial descobrindo muito encantos que, para a maior parte da humanidade, permanecem ocultos.)

Muitos poucos há que saibam estar ociosos e conservar a inocência ou gostar de prazeres que não sejam criminais. Cada diversão que disfrutam é à custa de alguma virtude, e o primeiro passo que dão ao deixar os seus negócios é submergir-se em vícios e extravagâncias. Por isso deveriam todos esforçar-se a estender quanto fosse possível a esfera dos prazeres inocentes a fim de poder refugiar-se neles com a segurança de encontrar no seu seio uma satisfação de que os sábios não tenham por que envergonhar-se. Desta satisfação gozamos por meio dos prazeres da imaginação, os quais não pedem uma intenção a qual se necessita para ocupações mais sérias e, ao mesmo tempo, impedem o ânimo de abismar-se na negligência e o descuido que acompanham os deleites sensuais, sendo, ao mesmo tempo, como um exercício moderado de nossas forças que as desperta e aviva sem causar-nos particular moléstia.

Podemos acrescentar que os prazeres da imaginação são mais conducentes à saúde que os do entendimento. Estes são acompanhados por um trabalho demasiado violento do cérebro. Mas cenas deliciosas, seja da natureza, da poesia, ou das artes, têm uma influência tão benigna sobre o corpo como sobre o ânimo e não só servem para depurar a imaginação e fazê-la brilhante, como também para afastar a melancolia e a aflição, pondo os espíritos animais em agradável movimento. Por esta razão Bacon, no seu Ensaio sobre a saúde, em que particularmente dissuade o leitor das investigações subtis e espinhosas, julgou oportuno prescrever o entendimento de um poema ou de uma vista e aconselhar-se que siga aqueles estudos que fecundem o ânimo de objectos nobres e esplêndidos, como história, fábulas, e contemplações ou vistas da natureza.

Neste capítulo fixei por via de introdução o sentido dos prazeres da imaginação, objecto da minha empresa e procurei fazer ao leitor várias considerações com a finalidade de recomendar-lhe a sua utilidade e importância. No seguinte examinarei as diversas fontes de onde derivam esses prazeres.

(tradução: carlos ruão)

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25.10.09

promised worlds


um tolo aos quarenta anos é realmente um tolo

edward young (1683-1765)

la dolce vita

home cinema





















federico fellini «o navio» 1983
federico fellini «ensaio de orquestra» 1978

noite de sábado com federico

depois de duas semanas com o lenço de papel na mão e a bela tosse de cigarro na garganta e de uma anterior noite de copos se é que chegou a ser de copos pois só me lembro de desgraças atrás de desgraças exceptuando a conversa final com o sven e o jornal comprado no meu quiosque às primeiras horas da manhã para que a pink panther não me escapasse das mãos e dizia eu depois de uma noite pouco noite dormida no sofá e vá-se lá saber a razão porque decidi não me arrastar atá à cama e depois de continuar como muito bem me recordaram na semana passada ou na outra já nem sei bem a quantas ando de andar sempre a olhar para dentro e não para fora o que já faz parte desta coisa que sou e de me chatear suficientemente comigo ao ponto de me irritar sem razão o que também não deixa de ser muito característico decidi evocar os melhores anjos da minha natureza e quanto a estes vá-se lá saber onde estão para além da frase feita e decidi ficar em casa no dito sofá sem comida nem bebida a rever não dois mas três fellini o que se revelou a inevitável forma de me pacificar de alguma maneira comigo mesmo a partir de algo que para mim e não só para mim mas talvez para outros tolos como eu próximos da decrepitude mental o que também não deixa de ser uma frase feita e que nada diz mas sendo de facto esta a razão porque escrevo tudo isto mas estava eu a dizer em vez de me chatear comigo ou muito muito melhor sair e tomar uns copos e chatear-me com quem desconheço pelo simples facto de estar no mesmo local onde estaria sem ser obrigado decidi não apanhar a chuva-molha-tolos e ficar tolamente no meu sofá que nem sequer é meu mas adiante e então comecei pelo navio embora o título italiano e la nave va seja bem mais conveniente e assim revi ao fim de tantos anos um dos meus filmes preferidos do grande mestre do burlesco italiano filme este que vi pela primeira vez no teatro académico de gil vicente em coimbra só no balcão segundo me recordo pois naquela época gostava de ver filmes no balcão e devo dizer que posso até estar a mentir pois a imagem que tenho de mim próprio no balcão do dito teatro académico de gil vicente é exactamente a do mo better blues do spike lee mas é bem provável que a imagem se estenda também a esta película mas estava eu a dizer que recordo para mim o navio como pessoal e autêntica revelação do que fellini verdadeiramente representava ou pelo menos assim ficou na minha fraca memória portátil e que maravilha que maravilha revê-lo com todos os seus artificialismos a caricatura o satírico o característico o barroquismo e etcetera e tal e o grande freddie jones como narrador e a bela pina bausch como a cega princesa autro-húngara e o tenebroso couraçado que em pleno início da primeira grande guerra interrompe a paz da viagem funerária para precipitar o caos depois de atacado pelo terrorismo sérvio juvenil e enfim tudo tudo tudo com o argumento do realizador de parceria com o tonino guerra e então não satisfeito com as duas horas de pura maravilha decidi rever o ensaio de orquestra e quando chegamos aqui os adjectivos ficam no bolso porque ele se vai rasgando à medida que vasculhamos tudo até aos fundilhos e como se ainda não estivesse completamente recuperado com tamanha cegueira de belo mais não fiz que rever por último o meu filme favorito do federico ou talvez não mas mesmo assim favorito dos vários favoritos e lá coloquei no reprodutor de imagens o la dolce vita e então aí estaria já numa espécie de estado hipnótico e as quase três horas de filme passaram num ápice enquanto bebia cena por cena e por cena até aquele final que é sem sombra de dúvida o meu preferido em toda a história do cinema como muito boa gente sabe mas sobre isso e sobre esta maravilha não falo aqui por sofrer demasiado com isso e também pela simples razão de de alguma maneira estar pacificado com este terrível fim de semana e também com a minha muito particular interpretação desta quimera muito pouco quimérica e que não me venham dizer que a intuição é uma coisa feminina pois que francamente desde que vi esse grandioso final fiquei logo a saber sobre mim umas certas e determinadas coisas e decididamente não será nada comparado ao sindroma de estocolmo mas enfim que me estaria vedado de alguma maneira e por minha própria culpa determinado futuro e que também eu nunca chegaria a entender aquele aceno da adolescente da umbria italiana com perfil rafaelesco como bem prova o meu recente passado e o estado actual da coisa que começa a estar um pouco para além de determinadas insinuantes e insidiosas festividades e bem mais próximo da ternurenta cova desta década e até já disse demais embora confusamente como convém e até nem digo que continuaria a sessão por um quarto ou quinto filme se não fosse a meia pastilha que entretanto tomei para ver se pelo menos dormia na minha execrável cama que começo a odiar para além do razoável mas todavia sei isso sei e tenho a mais absoluta certeza que durante a noite restante e manhã sonhei em italiano.

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24.10.09

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23.10.09

portraits


promised worlds

on from here walkin dreams awake
i think not i think not
the sky comes king blown in every direction
and of no country
i am straw

it is no mystery
i know my way from here

dave eugene edwards

dark entries

the wrong one in the bathtub

face me
not
spent
already?
the water tub of a dirty bath

you
as Ofelia in a shroud of filth

face me
not
sunk
already?
the chant so badly tuned as the beauty of your lips

you
as Ofelia in a shroud of filth

lace me
now
whore of whores
already?
once i lash out my woman for your surrogate ass

no dead
there is no dying here !
the wrong one in the bathtub

herbstzeitlose

Rome




































































.... or the real Mulder ?


MAURICE: I'm in the field of mental health. I specialize in disorders and manias related to pathological behavior as it pertains to the paranormal.


MULDER: Wow. I didn't know such a thing existed.

MAURICE: My specialty is in what I call soul prospectors-- a crossaxial classification I've codified by extensive interaction with visitors like yourself. I've found you all tend to fall into pretty much the same category.

MULDER: And what category is that?

MAURICE: Narcissistic, overzealous, self-righteous egomaniac.

MULDER: That's a category?

MAURICE: You kindly think of yourself as single-minded but you're prone to obsessive compulsiveness workaholism, antisocialism... Fertile fields for the descent into total wacko breakdown.

MULDER: I don't think that pegs me exactly.

MAURICE: Oh, really? Waving a gun around my house? Huh? Raving like a lunatic about some imaginary brick wall?

(MULDER looks over at … the brick wall in the doorway.)

MAURICE: You've probably convinced yourself you've seen aliens. You know why you think you see the things you do?

MULDER: Because I have seen them?

MAURICE: 'Cause you're a lonely man. A lonely man chasing paramasturbatory illusions that you believe will give your life meaning and significance and which your pathetic social maladjustment makes impossible for you to find elsewhere. You probably consider yourself passionate, serious, misunderstood. Am I right?

MULDER: "Paramasturbatory"?

MAURICE: Most people would rather stick their fingers in a wall socket than spend a minute with you.

MULDER: All right, now just, uh... Just back off for a second.

MAURICE: Spend every Christmas this way... Alone?

MULDER: (confident) I'm not alone.

MAURICE: More self-delusion.

MULDER: No, I came here with my partner. She's somewhere in the house.

MAURICE: Behind a brick wall?

(MULDER smiles and nods.)

MAURICE: How'd you get her to come with you? Steal her car keys?

(MULDER drops his smile.)

MAURICE: You know why you do it-- listen endlessly to her droning rationalizations. 'Cause you're afraid. Afraid of the loneliness. Am I right?

MULDER: I'd just like to find my partner.

MAURICE: Good... Easy. Piece of cake.

(MAURICE gets up and walks through the clear doorway. He turns back to face MULDER.)

MAURICE: Brick wall (indicates doorway) ... Or brick wall? (points to his head) Go ahead, change your life.

(MULDER gets up and starts to walk through the now clear doorway. He runs into an invisible wall which we quickly perceive as the brick wall again. MAURICE is now out of sight. MULDER turns to see the now dark library which quickly cuts to SCULLY's version of the library.)

SCULLY: Mulder?

The X-Files, How the Ghosts Stole Christmas, Season Six, written by Chris Carter.

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22.10.09

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Quando ia a estender os braços, tudo desapareceu.

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... TO MY SISTER

... TO MY SISTER
porque no fim, no fim, quando estamos perto do abismo...